Segunda-feira, 09 de março de 2026

Com presidentes latinos, Trump anuncia coalizão para erradicar cartéis de drogas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma coalizão com países da América Latina para combater cartéis do narcotráfico. O republicano recebeu no sábado (7) líderes latinos para o evento batizado de “Escudo da América”.

“Vamos fazer coisas incríveis! A região de vocês foi abandonada pelos EUA, que olhou para regiões em que nem era bem recebido”, disse o líder estadunidense.

O evento aconteceu no resort de Trump em Doral, na Flórida. Entre os presentes estavam nomes como o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele e o recém-eleito presidente do Chile, José Antonio Kast.

O encontro foi marcado na esteira da chamada “Doutrina Donroe”, versão de Trump para a Doutrina Monroe, em que promete intervir para promover interesses dos EUA no hemisfério ocidental, aumentar a segurança americana e interromper a influência de países como a China.

Durante o discurso, o republicano afirmou que a coalizão é importante porque é “inaceitável” que países tenham cartéis de drogas com um poder militar maior que o do país em que operam. O presidente, no entanto, não deu detalhes de como a coalizão vai operar.

“Eles ameaçam a polícia de vocês. Nossas forças já têm trabalhado para combater isso, mas vamos aprofundar e expandir”, disse Trump.

O republicano convidou presidentes mais alinhados com a direita e deixou de fora presidentes do Brasil, da Colômbia e do México, países governados por líderes de esquerda ou centro-esquerda e com papel determinante no combate ao narcotráfico em escala continental.

A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que os países convidados são aqueles que já trabalham “de forma muito estreita” com os EUA nesse tema, mas destacou que Washington mantém cooperação com o Brasil em várias frentes de segurança.

Na mira de Trump

No evento em Doral, mesmo com a ausência da presidente mexicana, Trump afirmou que o principal problema para o hemisfério, no quesito cartéis, é o México. “Os cartéis do México são responsáveis pelo derramamento de sangue. Nós vamos fazer o que for preciso para defender nossa segurança nacional. Temos que erradicar. Não podemos permitir, eles estão proximos demais de nós”, disse.

Trump também aproveitou o discurso para falar sobre a relação com a Venezuela —que foi formalmente restabelecida nesta semana— e elogiou a relação construída com Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, que tem trabalhado ao lado dos EUA desde o ataque em Caracas no início do ano.

“Ela está fazendo um trabalho fantástico, mas só digo isso porque ela está colaborando com os EUA. Se não, diria que está fazendo um trabalho horrível.”

Ameaças a Cuba

O presidente americano também renovou as ameaças ao regime de Cuba. “Eles estão no fundo do poço, não tem dinheiro, não tem petróleo, tem uma filosofia ruim. Eles querem negociar e eles estão negociando com o Marco Rubio. Há 50 anos, eu ouço falar de Cuba, mas o país está nos últimos momentos e vai ter uma nova vida”, afirmou Trump. “Estamos focados no Irã, mas vamos fazer isso nos próximos dias.”

Cuba enfrenta uma de suas mais graves crises desde a revolução de 1959 devido à pressão de Washington. O embargo de petróleo imposto por Trump aprofundou a crise que a ilha enfrenta há anos, com escassez generalizada de remédios, instabilidade econômica e êxodo massivo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Ataques de Israel contra o Líbano matam 394 pessoas, incluindo 83 crianças
Investigações sobre o Banco Master e Lulinha esquentam troca de ataques na pré-campanha à presidência da República
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play