Quarta-feira, 08 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de julho de 2026
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta quarta-feira (8) convocar o chanceler Mauro Vieira para prestar esclarecimentos sobre o documento em que o ministro mencionou a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra o Brasil.
A convocação implica presença obrigatória. Na terça-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores do Senado já havia aprovado um convite ao ministro para dar explicações sobre o mesmo assunto.
Na reunião, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) fez apelo, em nome do governo, para transformar o pedido de convocação em um convite, com possíveis datas de comparecimento em 10, 11 ou 14 de agosto. Não houve, acordo para a solicitação de mudança.
Na semana passada, o Itamaraty respondeu questionamentos da Câmara sobre a decisão dos EUA de classificar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Em ofício, assinado por Vieira, a pasta alertou para o risco de implicações para cidadãos brasileiros e para a possibilidade de ações militares dos EUA no Brasil.
O ofício do chanceler brasileiro também argumenta que a classificação “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.
O pedido de convocação aprovado nesta quarta foi apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). Ele também foi o autor do requerimento de informações enviado ao Itamaraty sobre a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas. O parlamentar ironizou e considerou como “precária e frágil” a resposta apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores.
O governo norte-americano também se manifestou sobre o assunto e classificou como “absurda” a hipótese levantada pelo Itamaraty de ação militar americana no Brasil.
Em nota à CNN, o Departamento de Estado americano afirmou que o país está “tomando medidas decisivas, no exercício de sua própria autoridade soberana, para combater narcoterroristas”. O governo dos EUA também alega que as facções criminosas brasileiras agora operam em território americano e que, por isso, os Estados Unidos devem defender seu povo.
A classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) pelos Estados Unidos entrou em vigor em 5 de junho. Essa foi a segunda etapa do processo, que se iniciou em 28 de maio, quando o Departamento de Estado americano fez o anúncio e enquadrou as facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT, na sigla em inglês).