Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de setembro de 2026
Nos últimos anos, medicamentos como semaglutida e liraglutida, usados no tratamento do diabetes e da obesidade, ficaram conhecidos no mundo todo por ajudar na perda de peso e na melhora da saúde metabólica. Mas uma observação curiosa começou a chamar a atenção de médicos e pesquisadores: alguns pacientes em uso dessas medicações relatavam não apenas menos fome, mas também menos vontade de beber álcool, fumar ou consumir outras substâncias.
O transtorno por uso de álcool, às vezes chamado de alcoolismo, é descrito pelo NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) como o consumo de álcool de forma prejudicial.
Um estudo da Universidade do Colorado Anschutz, publicado na semana passada, também sugeriu que medicamentos GLP-1 em comprimidos levaram a menos dias de consumo excessivo de álcool em pessoas com transtorno por uso de álcool leve a moderado.
Pessoas que usam o medicamento disseram à BBC News que o álcool as afetou de maneiras diferentes: algumas disseram que a vontade de beber desapareceu, que o álcool as deixou enjoadas ou com uma sensação desconfortável de estômago cheio, ou que ficaram bêbadas mais rapidamente. Outras disseram que não notaram nenhum efeito em sua relação com o álcool.
Não há nenhuma recomendação formal no Formulário Nacional Britânico, um guia para dispensação de medicamentos usado por médicos e farmacêuticos, sobre se as pessoas que tomam medicamentos para perda de peso devem parar de beber álcool, diz o Prof. Russell Hearn, clínico geral e professor de medicina no King’s College London.
Mas ele dá conselhos cuidadosos aos seus pacientes. “O álcool tem muitas calorias e, se o seu objetivo é perder peso, beber menos definitivamente ajudará nisso, juntamente com a mudança na sua dieta enquanto estiver tomando um GLP-1”, diz ele.
Ensaios clínicos
Estudos observacionais da população em geral sugerem que as pessoas bebem menos no geral quando usam medicamentos para emagrecer, mas os ensaios clínicos até o momento se concentraram em pessoas com transtorno por uso de álcool, em vez de consumidores ocasionais.
Os dados estão “se acumulando muito rapidamente”, diz Hendershot, acrescentando que algumas clínicas nos EUA já estão prescrevendo o medicamento para uso não convencional para pessoas com transtorno por uso de álcool.
Estudos maiores, com mais participantes e realizados por um período mais longo, são necessários antes que o medicamento possa ser aprovado pelos órgãos reguladores para o tratamento do transtorno por uso de álcool, afirma o Dr. Joseph Schacht, que realizou o estudo sobre pílulas para emagrecer e álcool.
No Brasil, a Anvisa não aprova esses remédios para tratar o alcoolismo.
Dúvidas
Ainda existem dúvidas sobre se é seguro para pessoas sem obesidade e diabetes usarem os medicamentos para o tratamento da dependência e se eles serão acessíveis, diz o médico Darren Quelch, que pesquisa dependência na Universidade do Sul do País de Gales.
Os medicamentos também podem ter vários efeitos colaterais, incluindo pancreatite, rara, mas grave.
Os pesquisadores também estão investigando se os medicamentos GLP-1 podem ser um tratamento para outros vícios, incluindo tabagismo e opioides.