Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Como conversar com uma criança sobre abuso sexual e ajudá-la a pedir ajuda

O abuso é, provavelmente, um dos maiores medos de pais, mães e cuidadores que se preocupam, de verdade, com a segurança de crianças e adolescentes. É um tema que paralisa e, muitas vezes, deixa a sensação de que nunca estamos fazendo o suficiente. Abordar esse tema com as crianças pode ser um desafio para os pais, que se perguntam sobre qual seria a melhor forma sem assustar e com empatia.

“Uma criança só consegue contar que está passando por uma situação de abuso se ela souber o que aquilo é. Parece óbvio, mas não é. Se ela não entende que determinado toque, atitude ou fala é inadequado, ela não tem como nomear o que está acontecendo. Portanto, não consegue comunicar. Por isso, conversar sobre o corpo, sobre limites e sobre consentimento é essencial desde cedo”, explica Daniela Pedroso, psicóloga e especialista em violência sexual.

Segundo ela, é importante ensinar, de forma clara e adequada à idade, que ninguém tem o direito de tocar o corpo dela sem consentimento, que ninguém pode machucá-la física ou emocionalmente e que ela pode e deve dizer “não” sempre que algo a deixar desconfortável. Isso vale tanto para situações de abuso sexual quanto para abuso físico e psicológico, inclusive quando envolvem pessoas conhecidas ou da própria família.

Estabeleça vínculos

Pesquisadora em enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, Caroline Arcari explica que a proteção começa com vínculo. Antes de qualquer “técnica”, a base é a criança confiar no adulto responsável. Ela precisa sentir, na prática, que pode falar sobre qualquer coisa sem medo de levar bronca, sem virar motivo de piada, sem ser culpabilizada. Quando uma criança confia no adulto, ela tende a contar cedo, ainda no estranhamento, antes de virar segredo pesado. E isso muda tudo.

Esse vínculo se constrói no cotidiano: escuta real, tempo de presença, respeito às emoções (“entendo que você ficou confusa”, “deve ter sido assustador”), e sobretudo a certeza de que o adulto dá conta do assunto. Muita criança não conta porque percebe que o adulto entra em pânico, ou porque acha que vai destruir a família.

Então é importante a mãe transmitir uma mensagem muito clara: “Se algum adulto fizer algo, tocar seu corpo, sugerir tocar nas partes íntimas, ou faça algo que te confunda, te assuste, te envergonhe ou te machuque, eu vou te proteger. Você não vai estar sozinha. E a culpa nunca é sua.”

O segundo ponto é a criança saber o que são essas violências e como elas acontecem, inclusive quando vêm de pessoas conhecidas. A maior parte dos abusos contra crianças e adolescentes não começa com “agressão física explícita” do nada. Muitas vezes começa com aproximação, confusão emocional, manipulação e testes de limite: favores, segredos, presentes, “brincadeiras” que deixam a criança confusa, comentários sobre corpo, invasão de privacidade, pedidos de foto ou exigência de que a criança fique sozinha com aquele adulto. Existe também a violência psicológica que serve para calar: “se você contar, ninguém vai acreditar”, “você vai destruir a família”, “sua mãe vai sofrer”, “você é muito madura”, “isso é nosso segredo”, “você que quis”.

Sinais de abuso

Outra dúvida comum dos pais é: como saber se algo está acontecendo? A psicóloga Daniela Pedroso explica que não existe um sinal único ou um comportamento padrão que indique abuso. O que mais chama atenção são mudanças bruscas de comportamento.

Ela cita como exemplo alterações no sono, na alimentação, agressividade repentina, medo de ficar sozinho, medo de algum adulto específico, comportamentos sexualizados, fazer xixi na cama, queda no rendimento escolar: tudo isso pode ser sinal de sofrimento emocional.

A psicóloga ressalta que esses comportamentos não são, isoladamente, sinônimos de abuso. Eles indicam que algo não vai bem e precisam ser olhados com atenção, mas não permitem conclusões precipitadas.

Por isso, quando há dúvidas, o caminho mais seguro é buscar avaliação psicológica com profissionais especializados, que podem ajudar a entender o que está acontecendo com aquela criança.

Muitas vezes, a criança não vai verbalizar espontaneamente. E é exatamente por isso que o diálogo preventivo é tão importante. Não podemos esperar que uma criança diga “fui abusada” se ela nem sabe o que isso significa. Quando existe informação e confiança, ela tem mais chances de reconhecer algo estranho e buscar ajuda. (As informações são do jornal O Globo)

 

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