Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Como cuidar da saúde intestinal e garantir seu bem-estar de dentro para fora

Já faz algum tempo que a ciência vem mostrando que o intestino é muito mais do que um órgão responsável pela digestão. Ele influencia diretamente o funcionamento do corpo como um todo: participa da regulação hormonal, abriga a maior parte das nossas células de defesa e mantém uma comunicação constante com o cérebro, capaz de impactar até o humor e o bem-estar. Não por acaso, ganhou o apelido de “segundo cérebro”.

No interior do trato digestivo vive uma comunidade complexa de trilhões de microrganismos, conhecida como microbiota intestinal. Eles trabalham em conjunto para metabolizar nutrientes, produzir vitaminas essenciais, proteger contra vírus e bactérias nocivas e regular respostas do sistema imunológico. Manter essa diversidade em equilíbrio é fundamental para que o corpo funcione de maneira harmoniosa.

Quando algo nessa engrenagem se desequilibra, os sinais aparecem rapidamente: constipação, inchaço, gases, queda de energia e até alterações emocionais. Esses sintomas são avisos de que o intestino precisa de mais cuidado. Como explica a nutricionista Maria Luisa Repula, “cuidar da saúde intestinal não é apenas evitar desconfortos, é um investimento direto na nossa qualidade de vida, de dentro para fora”.

O que pode desequilibrar

Entre os fatores mais comuns, a baixa ingestão de água e a falta de fibras são os primeiros vilões. Sem hidratação suficiente, o trânsito intestinal fica lento. Já a ausência de fibras — solúveis e insolúveis — compromete tanto a formação do bolo fecal quanto a nutrição das bactérias benéficas.

O consumo elevado de açúcares, gorduras saturadas, conservantes e aditivos também pode desregular a microbiota e favorecer processos inflamatórios. Quando esse cenário se combina a hábitos como sedentarismo, ingestão excessiva de álcool, noites mal dormidas e uso frequente de antibióticos, o impacto é ainda maior: o equilíbrio intestinal fica comprometido, já que bactérias boas e ruins são eliminadas de forma indiscriminada.

Microbiota

A microbiota intestinal é composta por uma comunidade diversa de bactérias, vírus e fungos que vivem em harmonia no trato digestivo. Quando a diversidade é preservada, ela atua como barreira contra patógenos, auxilia na absorção de vitaminas e minerais e até modula respostas do sistema imunológico. Estima-se que cerca de 70% das nossas células de defesa estejam concentradas no intestino.

Essa relação vai além da digestão: existe um vínculo chamado eixo intestino-cérebro, por meio do qual os microrganismos presentes no trato digestivo produzem substâncias que se comunicam com o sistema nervoso central, influenciando diretamente aspectos como humor e estresse.

Como explica Maria Luisa, “essa interação complexa tem implicações importantes para a compreensão e até para o tratamento de algumas condições de saúde mental”. Não por acaso, estudos recentes vêm reforçando a ligação entre o equilíbrio da microbiota e o bem-estar emocional.

Alimentação e hábitos

Uma dieta variada, colorida e rica em frutas, legumes, vegetais, cereais integrais e sementes é a base de um intestino saudável. Esses alimentos fornecem nutrientes diversificados e fibras — o “alimento favorito” das bactérias benéficas.

As fibras solúveis, como as encontradas na aveia, quinoa, psyllium, maçã e leguminosas, formam um gel que contribui para a saciedade, regula o trânsito intestinal e promove benefícios metabólicos. Já as fibras insolúveis, presentes em grãos integrais, nozes e vegetais, aumentam o volume do bolo fecal e facilitam a evacuação.

Além da alimentação, outros hábitos são indispensáveis:

– Hidratação adequada, fundamental para que as fibras possam atuar corretamente.
– Sono regulado, já que noites mal dormidas afetam a diversidade da microbiota.
– Controle do estresse, que influencia a produção de enzimas digestivas e pode agravar desequilíbrios.
– Atividade física regular, que estimula o funcionamento intestinal e favorece um ambiente saudável para as bactérias.

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