Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
Todos nós já nos deparamos com aquele viajante de estômago de ferro. Aquele que nunca fica enjoado, muito menos doente – mesmo depois de devorar ostras mornas em uma barraca de rua – e que consegue suportar sem esforço mares agitados e estradas sinuosas. Mas, para o resto de nós, problemas gastrointestinais podem complicar, ou até arruinar, uma viagem que tinha tudo para ser agradável.
Felizmente, um pouco de pesquisa, planejamento e preparação antes da viagem podem reduzir significativamente o risco de desconforto gastrointestinal. Aqui estão algumas dicas.
Se você tem tendência a problemas digestivos ou sofre de uma condição crônica como a Doença de Crohn ou a Síndrome do Intestino Irritável, “é importante saber quais são seus sintomas normais para que você possa se antecipar ao viajar”, disse Andrew Moore, gastroenterologista da Endeavor Health, uma rede de saúde sem fins lucrativos em Chicago, nos Estados Unidos.
As mudanças na rotina e os alimentos incomuns que acompanham as viagens podem perturbar nosso ritmo gastrointestinal, explicou. Portanto, é prudente levar medicamentos com ou sem receita controlada, para náuseas, azia, diarreia, prisão de ventre ou outros problemas potenciais.
Se você for viajar para destinos com alto risco de doenças como cólera (América do Sul e África subsaariana) ou febre tifoide (partes da Ásia, da África e da América Latina), consulte seu médico sobre as vacinas alguns meses antes da viagem, recomendou Moore.
“Pesquise sobre o lugar para onde vai e saiba que opções de alimentação estarão disponíveis”, acrescentou, especialmente se você tiver alergias ou intolerâncias alimentares. Se você tem o estômago sensível ou restrições específicas, como ao glúten, leve lanches ricos em fibras e que não precisem de refrigeração.
Cuidados
As principais cidades de países desenvolvidos geralmente têm água da torneira segura. Mas uma garrafa com purificador pode ser uma boa opção, afirma Paul Connolly, ex-diretor administrativo da Water-to-Go, fabricante de diversos modelos. Essas garrafas filtram contaminantes, incluindo micróbios como norovírus, E. coli e campilobacteriose, geralmente preenchendo uma seção com água não tratada e, em seguida, pressionando, bombeando ou sugando a água através de um filtro interno para a outra seção. Além disso, essas garrafas podem melhorar o sabor da água.
Ferver mata os micróbios, por isso chá e café são bebidas relativamente mais seguras. Mas isso geralmente não é prático no dia a dia de viajantes, disse Connolly, então prefira comprar água engarrafada, lacrada de fábrica, ou outras bebidas envasadas e evite gelo – o congelamento não mata a maioria dos micróbios. Lave as mãos com água e sabão sempre que possível. O álcool em gel nem sempre mata bactérias nocivas como o norovírus e o criptosporídio.
Em geral, “ferva, cozinhe, descasque ou esqueça”, afirmou Sandra Eskin, CEO da organização sem fins lucrativos Stop Foodborne Illness. Isso significa que você deve pensar duas vezes antes de consumir saladas e frutos do mar crus. Quando se trata de comida de rua, fique atento a sinais de higiene precária. “Você não quer nada que tenha ficado exposto por horas”, disse.
Hidratação
Se, mesmo com todas as precauções, você ainda adoecer, não se desespere. Para adultos saudáveis, a maioria dos casos de diarreia do viajante – a doença mais comum causada por água contaminada, higiene precária ou alimentos de qualidade duvidosa – se resolve espontaneamente em um ou dois dias, assim como os casos leves de intoxicação alimentar, explicou o gastroenterologista Moore.
É importante manter-se hidratado; boas opções incluem bebidas esportivas e produtos de reidratação. Se os sintomas graves persistirem por três dias, ou se você desenvolver febre alta persistente, fezes com sangue ou vômito com sangue, “você deve procurar atendimento médico”, recomendou o médico.
Enjoos
Às vezes, a própria viagem pode causar enjoo. De acordo com o National Institutes of Health, até um terço das pessoas é altamente suscetível ao enjoar em deslocamentos, provavelmente devido a fatores genéticos.
Viajantes propensos a enjoos devem evitar álcool e bebidas gaseificadas, pois as bolhas podem causar inchaço e desconforto gastrointestinal.
Kreena Shah, médica do grupo Inspira Health em Nova Jersey, corroborou com a recomendação de Sara sobre evitar alimentos gordurosos ou picantes e sugeriu a compra de medicamentos para enjoo, geralmente disponíveis em lojas de aeroporto. Apesar de alguns viajantes jurarem que as pulseiras elásticas contra enjoo funcionam, sua eficácia não está totalmente comprovada. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)