Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de janeiro de 2026
Ao procurar casas à venda no Caribe Oriental, não são mais apenas as praias deslumbrantes e o estilo de vida relaxado que se destacam como principais atrativos para os compradores.
Cada vez mais, anúncios imobiliários também oferecem um passaporte como parte do pacote, em um movimento impulsionado, segundo especialistas, pela instabilidade política e social nos Estados Unidos.
Cinco nações insulares da região – Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, São Cristóvão e Névis e Santa Lúcia – mantêm programas de cidadania por investimento (CBI) com valores iniciais a partir de US$ 200 mil.
Ao adquirir um imóvel, o comprador também obtém um passaporte que garante acesso sem visto a até 150 países, incluindo o Espaço Schengen, na Europa, e, em todos os casos, com exceção de Dominica, também ao Reino Unido.
Para investidores de maior poder aquisitivo, a ausência de impostos como o sobre ganhos de capital e o imposto sobre heranças — e, em alguns casos, também o imposto de renda — é outro atrativo relevante. Além disso, os cinco programas permitem que os beneficiários mantenham sua cidadania original.
Demanda aquecida
Em Antígua, agentes imobiliários relatam dificuldades para atender à demanda. Segundo Nadia Dyson, proprietária da Luxury Locations, até 70% dos compradores atualmente buscam a cidadania, e a grande maioria deles é dos Estados Unidos. “Não falamos de política com eles, mas o cenário político instável (nos Estados Unidos) é certamente um fator”, afirmou à BBC.
“Há um ano, neste mesmo período, eram principalmente compradores motivados pelo estilo de vida, com alguns interessados em cidadania como investimento. Agora, todos dizem: ‘Quero uma casa com cidadania’. Nunca vendemos tantas casas como agora”, acrescentou.
Embora o programa de Antígua não exija residência, alguns compradores consideram a mudança definitiva, observa Dyson. “Alguns já se mudaram”, disse.
EUA no topo
Segundo especialistas em migração por investimento da Henley & Partners, a maioria dos pedidos de cidadania por investimento no Caribe no último ano partiu de cidadãos dos Estados Unidos.
Ucrânia, Turquia, Nigéria e China aparecem entre os outros países de origem mais frequentes dos candidatos, de acordo com a empresa britânica, que mantém escritórios em diversas regiões do mundo.
A consultoria aponta ainda que, de forma geral, os pedidos de cidadania caribenha por meio de programas de investimento cresceram 12% desde o quarto trimestre de 2024.
Para Dominic Volek, da Henley & Partners, fatores que vão da violência armada ao aumento do antissemitismo contribuem para manter os americanos em estado de alerta. “Entre 10% e 15% realmente mudam de país. Para a maioria, trata-se de uma apólice de seguro. Ter uma segunda cidadania é um bom plano B”, afirma.
Volek destaca que a facilidade de viagem proporcionada pelos passaportes caribenhos é atraente para empresários e também pode representar um ganho em termos de segurança. “Alguns clientes americanos preferem viajar com um passaporte mais neutro politicamente”, explica.
Fator Trump
Antes da pandemia de Covid-19, os Estados Unidos sequer figuravam nos planos da Henley, relata Volek. As restrições de viagem impostas durante a crise sanitária foram um choque para indivíduos de alto patrimônio líquido acostumados à mobilidade internacional, provocando o primeiro aumento nas solicitações de cidadania por investimento vindas do país. O interesse voltou a se intensificar após as eleições americanas de 2020 e 2024.
“Há democratas que não gostam de Trump, mas também republicanos que não gostam dos democratas”, observa Volek. “Nos últimos dois anos, passamos de nenhum escritório nos Estados Unidos para oito em grandes cidades, e mais dois ou três devem ser abertos nos próximos meses”, conclui.