Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de julho de 2026
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou nesta terça-feira (14) a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.
O etanol do tipo anidro passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor.
A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis. “Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no País busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira”, justificou o Conselho, em nota.
O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. “No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex”, complementou a nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil.
O E32 é o nome dado à mistura de combustível que contém 32% de etanol anidro e 68% de gasolina comum.
Engenheiros afirmam que veículos mais antigos ou sem calibração específica podem sofrer aumento de consumo, corrosão e desgaste de componentes.
Segundo os técnicos, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina.
Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%.