Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
A procura no sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por valores que podem ser liberados para empréstimo disparou 83,9% em apenas um dia. Segundo dados da Dataprev, a média diária de consultas à margem consignável – limite da renda que pode ser comprometido com parcelas de créditos – no sistema Meu INSS era de 4.430.000 nos primeiros 18 dias de janeiro, mas saltou para cerca de 8.140.000 na segunda-feira (dia 19).
O movimento se repetiu no dia seguinte. Na terça-feira (dia 20), o volume de consultas chegou a aproximadamente 7.620.000, o que representa alta de 72,1% em relação à média do mês.
Responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social, a Dataprev atribui o aumento à correção dos benefícios previdenciários em 2026.
Quem recebe o piso passou a ganhar R$ 1.621, valor alinhado ao novo salário mínimo, que teve um reajuste de 6,79% em 1º de janeiro, com ganho real acima da inflação. Já os aposentados e pensionistas que recebem acima do mínimo tiveram aumento de 3,90%, seguindo a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 2025.
O INSS vai começar a fazer os depósitos com os novos valores na próxima segunda-feira (dia 26). Começando por quem ganha um salário mínimo. As datas variam até 6 de fevereiro com um grupo por dia, conforme o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador que aparece após o traço. Para quem ganha acima do piso nacional, os pagamentos serão feitos de 2 a 6 de fevereiro. Neste caso, o crédito é feito para dois grupos por dia, também respeitando o número final do benefício.
Com o aumento do valor do benefício, também cresce automaticamente a margem consignável. Pela regra do INSS, o limite total de descontos é de até 45% do benefício previdenciário mensal. Desse total, 35% podem ser usados para empréstimos, enquanto os outros 10% são reservados para cartões.
Na prática, isso significa que quem recebe R$ 1.621 pode comprometer até cerca de R$ 567,35 com empréstimos (35%), além de R$ 81,05 com cartão de crédito consignado e outros R$ 81,05 com cartão consignado de benefício (5% + 5%). Somando tudo, o limite máximo de descontos chega a aproximadamente R$ 729,45 por mês.
Apesar de a consulta à margem ser diferente do pedido efetivo de empréstimo, o número de desbloqueios de consignados também cresceu. Foram registrados mais de 400 mil desbloqueios em um dia. Esse volume representa um aumento de 60% sobre a média diária padrão, que gira em torno de 250 mil.
Sistema instável
Com a explosão na procura por consignado, o sistema Meu INSS passou a registrar instabilidade. Em períodos regulares, a plataforma contabiliza cerca de 3.500.000 de acessos por dia, mas na segunda-feira (dia 19) esse número saltou para 10,6 milhões, alta de mais de 200%.
Na terça-feira (dia 20), foram 10,8 milhões de acessos. O sistema manteve volume elevado na quarta-feira (21) com mais de 10 milhões de visitas ao longo do dia.
A Dataprev afirma que, além da disparada nas consultas à margem consignável, a alta demanda também é influenciada pelo maior fluxo de desbloqueio de empréstimos. Isso ocorre após a entrada em vigor do Decreto nº 12.561, de 2025, que determina que, a cada nova contratação de consignado, o benefício seja automaticamente bloqueado para novas operações, exigindo que o segurado faça um novo procedimento de desbloqueio sempre que quiser contratar outro empréstimo.
Vale lembra que na época o instituto disse, em nota, que o bloqueio recorrente desse tipo de operação faz parte de “uma série de outras ações adotadas pelo INSS para aumentar o controle na concessão do crédito consignado, priorizando a proteção dos segurados e a transparência nas parcerias com instituições financeiras”. (As informações são do Extra)