Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de junho de 2026
A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu uma auditoria para investigar a destinação de recursos provenientes de emendas parlamentares enviados a entidades relacionadas à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, obra que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apuração busca verificar se os valores públicos repassados foram utilizados conforme os objetivos previstos ou se houve eventual desvio de finalidade com aplicação indireta na produção cinematográfica. O resultado do trabalho deverá ser encaminhado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator da investigação sobre o caso.
A análise da CGU terá como principal objetivo identificar o percurso dos recursos públicos destinados às instituições administradas pela empresária Karina da Gama, produtora do longa-metragem. Os auditores deverão examinar documentos, contratos, registros financeiros, prestações de contas e demais informações relacionadas aos projetos beneficiados pelas emendas parlamentares.
O trabalho também deverá avaliar se as entidades responsáveis pela execução das iniciativas cumpriram as propostas apresentadas originalmente ou se os recursos foram empregados em atividades diferentes das previstas. A auditoria pretende reunir informações técnicas que possam esclarecer a aplicação dos valores e contribuir para a apuração conduzida pelo Supremo.
No inquérito relatado por Flávio Dino, são analisados repasses públicos feitos a entidades ligadas à produtora e a possibilidade de que parte desses recursos tenha sido utilizada para financiar, direta ou indiretamente, a produção de “Dark Horse”. A investigação busca esclarecer a relação entre os repasses, as instituições beneficiadas e a realização do filme.
Entre os recursos sob análise está uma emenda parlamentar no valor de R$ 2 milhões destinada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade vinculada à produtora Karina da Gama.
Em manifestação apresentada ao STF, a defesa do parlamentar negou a existência de irregularidades. Segundo os advogados, o valor foi destinado a projetos voltados à inclusão digital, ao letramento, ao empreendedorismo e à realização de atividades esportivas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A defesa também afirmou que não há comprovação de que os recursos tenham sido utilizados para custear a produção do filme sobre Bolsonaro.
Além da investigação conduzida no Supremo, a produtora também é alvo de uma apuração da Polícia Civil de São Paulo. Nesse caso, são analisadas suspeitas relacionadas a possíveis desvios de finalidade em contratos firmados entre entidades administradas por Karina da Gama e a prefeitura da capital paulista. (Com informações do jornal O Globo)