Segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cooperativas ampliam presença na Fenasoja

 

A Fenasoja 2026 chega à sua próxima edição evidenciando uma mudança que já vinha em curso no campo: o cooperativismo deixou de ser coadjuvante e passou a operar como estrutura central de organização do agro regional.

Esse reposicionamento aparece de forma concreta na programação. A Comissão do Cooperativismo, presidida por Alexandre Dall’Agnese, reúne nove cooperativas — Coopermil, Cotrirosa, Sicredi, Sicoob, Cresol, Unimed, Cooperconcórdia, Unicooper e Cooperluz — em uma agenda integrada, com foco em inovação, formação e impacto social. Não se trata apenas de presença institucional, mas de articulação.

A criação da chamada Casa do Cooperativismo, que concentrará atividades ao longo de toda a feira, reforça esse movimento. Mais do que um espaço expositivo, ela funciona como ponto de convergência de uma agenda que combina formação, debate e relacionamento — três pilares que hoje sustentam a competitividade no campo.

A programação confirma essa leitura.

No dia 6 de maio, o Encontro de Mulheres Cooperadas, promovido por Cresol e Cotrirosa, traz para o centro uma agenda que ganhou peso nos últimos anos: a participação feminina na gestão e na tomada de decisão no agro. No dia seguinte, a formatura do programa Aprendiz do Campo, da Cotrirosa, expõe outro ponto sensível: a renovação geracional e a permanência de jovens na atividade rural.

Essa preocupação se amplia no dia 8 de maio, quando o Programa de Cooperativismo Escolar (PCE), em parceria com a Cooperluz, reúne cerca de 450 jovens. A escala não é trivial e indica uma estratégia clara de formação de base — algo que o setor passou a tratar como prioridade diante do envelhecimento da população rural.

À tarde, o Encontro de Lideranças Cooperativistas, promovido em parceria com o Sistema Ocergs e a Organização das Cooperativas Brasileiras, insere o tema em um nível mais amplo de discussão. A presença de Darci Hartmann sinaliza que o debate regional está conectado a uma agenda nacional, cada vez mais orientada por inovação e eficiência.

O avanço do cooperativismo dentro da feira acompanha um movimento mais amplo do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, o setor ganhou escala, mas também passou a operar sob maior pressão — seja por crédito mais seletivo, custos elevados ou maior exposição a riscos climáticos. Nesse ambiente, estruturas cooperativas voltam a ganhar protagonismo por sua capacidade de reduzir custos, ampliar acesso a serviços e organizar cadeias produtivas.

Ao ocupar diferentes espaços dentro da Fenasoja, o cooperativismo amplia sua visibilidade, mas, sobretudo, reforça sua função econômica. Em regiões como o Noroeste gaúcho, ele opera como infraestrutura: conecta produção, financiamento, assistência técnica e mercado.

A feira, que será realizada de 1º a 10 de maio no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa, funciona, mais uma vez, como termômetro. O espaço ampliado dado às cooperativas não é casual — reflete um setor que se reorganiza e passa a depender cada vez mais de modelos coletivos para sustentar crescimento.

No fim, o que a Fenasoja expõe não é apenas uma agenda.

É uma mudança de eixo. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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