Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de agosto de 2023
O coronel Klepter Rosa Gonçalves, acusado de omissão nas manifestações extremistas do dia 8 de janeiro, em Brasília, e preso preventivamente na Operação Incúria, da Polícia Federal, foi nomeado comandante da Polícia Militar do Distrito Federal pelo então interventor federal do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, e elogiado pelo trabalho feito nos dias seguintes. Cappelli é secretário executivo do Ministério da Justiça, pasta atualmente chefiada pelo ministro Flávio Dino.
“Sem o apoio do senhor, eu não estaria aqui hoje”, disse Cappelli, ao ser homenageado com o título de cidadão brasiliense na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em maio. “Na noite do dia 8, quando eu recebi a missão, teve um homem que ficou ao meu lado do momento que entrei e não saiu mais do meu lado. Com uma postura exemplar, me apoiando integralmente”, afirmou Cappelli, que comandou a intervenção federal na segurança pública do DF por 23 dias.
O próprio coronel Klepter também ofereceu a Medalha Tiradentes, a maior comenda da instituição, a Cappelli, naquele mesmo mês. Então subcomandante da PM-DF, Klepter foi promovido interinamente ao cargo de comandante em 10 de janeiro e efetivado no mês seguinte. Como mostrou a Coluna do Estadão, Cappelli, ao justificar a nomeação do coronel, disse que o oficial cumpriu “prontamente todas as orientações recebidas”.
Sobreaviso
Foi o coronel Klepter também o responsável por autorizar férias no dia 8 de janeiro para o coronel Jorge Naime Barreto, então chefe do Departamento de Operações (DOP) do PM. “O coronel Naime estava me relatando esgotamento há vários dias”, afirmou. O comandante ainda disse que a determinação de deixar a tropa de sobreaviso e não de prontidão partiu do DOP, que ficou sob comando interino do coronel Paulo José Ferreira, também preso.
Na denúncia, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Klepter “retardou o fornecimento de documentos requisitados pelo Supremo com o claro objetivo de prejudicar as investigações”.
R$ 1 milhão
Durante a investigação sobre a conduta da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal no 8 de Janeiro, a Procuradoria-Geral da República identificou suspeita de “relações econômicas aparentemente ilícitas” do coronel Jorge Naime Barreto, ex-comandante do Departamento de Operações.
Segundo o Ministério Público Federal, ele fez o transporte de R$ 1 milhão em espécie de São Paulo para Brasília. O órgão vê indícios de uso de “escolta” da PM-DF no trajeto, assim como possível prática de lavagem de dinheiro.
Além disso, a PGR lança suspeita sobre a atuação de Naime como presidente da Associação dos Oficiais da corporação, com aparente desvio de recursos angariados pela entidade. As informações constam da cota apresentada ao Supremo Tribunal Federal junto da denúncia contra oficiais da PM-DF. Preso desde fevereiro, Naime foi denunciado por omissão nos atos golpistas.
O Ministério Público Federal pede que o STF envie o caso para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios “para providências que entender cabíveis.” A defesa do coronel não se manifestou.