Quinta-feira, 19 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de março de 2026
A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou nessa quarta-feira (18) a convocação da influenciadora e ex-noiva de Daniel Vorcaro, Martha Graeff, e rejeitou, em votação em destaque, o pedido para ouvir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em uma sessão marcada por divisões sobre o alcance político da investigação.
Martha entrou no radar da CPI a partir de mensagens e anotações apreendidas nas investigações sobre o Banco Master e deve prestar esclarecimentos sobre interlocuções relacionadas ao caso. Ela também tem depoimento marcado na CPI do INSS na próxima segunda-feira (23).
A tentativa de convocar Valdemar foi levada a voto em separado e acabou rejeitada por quatro votos a seis. O requerimento se baseava em declarações do próprio dirigente sobre doações feitas pelo empresário Fabiano Zettel, preso na Operação Compliance Zero, à campanha de Jair Bolsonaro e ao Partido Liberal nas eleições de 2022.
Também foram aprovadas as convocações do ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques e de nomes ligados a empresas que passaram a concentrar o foco da apuração, como a Prime Aviation e a Fraction 024. Estão nesse grupo Artur Martins de Figueiredo, João Gustavo Haenel Neto, Flavio Daniel Aguetoni, Thatiane Garcia Silva, Rodolfo Garcia da Costa e Marcus Vinicius da Mata.
Parte dos requerimentos inicialmente previstos foi retirada de pauta a pedido dos próprios autores. Ao todo, sete propostas deixaram de ser analisadas, entre elas a convocação do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, após relatório do Coaf apontar que sua empresa de consultoria recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da REAG Investimentos entre 2023 e 2024. Também não foram analisados o pedido envolvendo a ex-assessora de Michelle Bolsonaro, Giselle dos Santos Carneiro da Silva, a convocação e a quebra de sigilo do advogado Willer Tomaz e medidas que atingiam o ex-ministro Ronaldo Vieira Bento e outros alvos ligados às empresas investigadas.
No eixo financeiro, a comissão rejeitou a quebra de sigilo do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e retirou de pauta as medidas que atingiam o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-ministro João Roma. Permanecem em análise pedidos de acesso a dados de pessoas e empresas ligadas às estruturas investigadas.
Entre os alvos estão Letícia Caetano dos Reis e Ahmed Mohamad Oliveira, além de fundos e empresas como Arleen FIP, Laguz FIDC, Clínica Mais Médicos S.A., A&M Consultoria Empresarial, Prime Aviation e Fraction 024. Um dos pedidos já aprovados determina que a CVM identifique os beneficiários finais de fundos ligados ao Banco Master e à REAG Investimentos.
Em seguida, o colegiado realizou a oitiva de Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital.
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza também foi convocado, mas obteve decisão no STF que desobrigou sua presença. (Com informações do jornal O Globo)