Sexta-feira, 04 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de setembro de 2026

O acesso ao crédito, o endividamento dos produtores, os impactos dos eventos climáticos e a situação da dívida pública estiveram entre os principais desafios discutidos durante o IX Fórum Econômico Gaúcho, realizado nesta quinta-feira (3), na Casa da Rede Pampa, durante a Expointer, em Esteio. O encontro reuniu representantes do poder público, do agronegócio, do setor empresarial e do sistema financeiro.
No campo, a recuperação financeira dos produtores aparece como uma das principais preocupações. O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, destacou a necessidade de cautela diante do cenário atual e defendeu investimentos que permitam aumentar a produtividade e a rentabilidade das próximas safras.
“O que nós vamos fazer agora, na próxima safra, para estar com muita tecnologia, é ter um cuidado com os investimentos, porque hoje é um momento bastante difícil”, afirmou.
A sequência de enchentes e estiagens também aumentou a necessidade de adaptação da produção. Entre as alternativas apontadas estão o uso de irrigação, rotação de culturas e variedades mais resistentes. Para Manica, o setor precisa aproveitar as ferramentas disponíveis para enfrentar as mudanças no clima.
“Nós precisamos usar a tecnologia, a inovação para enfrentar essas tendências de dificuldade climática”, declarou.
O secretário de Justiça do Estado, Fabrício Peruchin, ressaltou que os efeitos dos problemas enfrentados pelo agronegócio ultrapassam as propriedades rurais e atingem toda a cadeia produtiva. Ele destacou a presença, na Expointer, tanto da grande indústria quanto da agroindústria familiar.
“Basta olhar para o lado de lá do parque e a gente vê o grande maquinário, a grande indústria que nós temos de fortalecimento do campo e, do ladinho, aqui nós temos a agroindústria familiar, que também é muito importante”, afirmou.
Outro ponto de atenção é a dívida pública do Rio Grande do Sul. Segundo Peruchin, a questão deverá estar entre as prioridades do próximo governo estadual diante do fim do período de suspensão dos pagamentos.
“Isso acaba em março de 2027. Portanto, o próximo governador terá dificuldades financeiras se não conseguir dialogar com quem venha a ser o presidente da República”, disse.
A necessidade de aproximar diferentes setores também foi destacada pelo presidente da Rede Pampa, Alexandre Gadret. Segundo ele, a parceria com instituições preocupadas com o desenvolvimento econômico do Estado é importante para ampliar o alcance das discussões realizadas durante o fórum.
“A Rede Pampa se vincula a essas instituições para justamente levar mais adiante cada uma dessas, dos frutos desses debates e dessas discussões”, afirmou.
Já o vice-presidente da Rede Pampa, Paulo Sérgio Pinto, destacou a importância de levar essas discussões à sociedade e de mostrar como as decisões dos setores público e privado podem afetar a população.
“O que vai acontecer com o setor público e privado agindo dessa ou daquela maneira e o que vai repercutir nessa mesma sociedade? É isso que nós pretendemos”, afirmou Pinto.
Ao reunir diferentes setores, o IX Fórum Econômico Gaúcho reforçou a necessidade de transformar as discussões em ações capazes de apoiar a recuperação do produtor, ampliar a segurança para novos investimentos e fortalecer a economia do Rio Grande do Sul diante dos desafios financeiros e climáticos.