Domingo, 07 de agosto de 2022

Cresce chance de alta da taxa básica de juros às vésperas da eleição

Com novas pressões salariais no radar em um cenário de estimativas já ao redor do teto da meta de inflação em 2023 (4,75%), economistas avaliam que não é desprezível o risco de o Banco Central (BC) ter de avançar com o ciclo de aperto monetário até setembro, no auge da campanha eleitoral.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 20 e 21 de setembro, enquanto o primeiro turno da eleição é dia 2 de outubro.

Neste ano, porém, há uma novidade: a autonomia formal do BC. Conquistada no ano passado, com o argumento também de se desvencilhar dos ciclos políticos, essa independência, na avaliação de especialistas, blinda mais o BC de pressões populistas e dá mais espaço para continuar, se for preciso, a alta de juros mesmo com a eleição.

O Copom já sinalizou nova alta da Selic em agosto, para 13,5% ou 13,75%. Também indicou que pretende deixar os juros mais contracionistas por mais tempo, terminando 2023 provavelmente acima de 10%, para alcançar uma inflação “ao redor” do centro da meta do ano que vem (3,25%).

Para o economista João Fernandes, sócio da Quantitas Asset, essa estratégia parece arriscada, especialmente pensando no cenário de inflação de serviços. Hoje, o economista espera 5,5% para o IPCA em 2023.

“Não tem como descartar que as expectativas comecem a subir para além dos 5%. Nesse sentido, a alternativa seria aumentar mais uma vez o juro, para 14,25%, por exemplo”, diz Fernandes.

Da mesma forma, o chefe do Centro de Estudos Monetários da FGV, José Julio Sena, diz que ainda é difícil precisar o fim do ciclo de alta de juros, mas que a diretoria atual não demonstra que deixaria de elevar os juros por causa da eleição. “Claro que a autonomia formal reforça a minha convicção. O ponto é: se o BC sentir que precisa fazer mais aumento, acho que acabará fazendo. No momento, ninguém sabe se será ou não necessário.”

Fora da meta

O Relatório de Inflação, publicado recentemente, apontou que o teto da inflação vai ser ultrapassado em 2022 pelo segundo ano consecutivo. De acordo com o Banco Central, a chance do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) superar a meta atingiu 100%.

A meta inflacionária é determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para este ano, a expectativa era de 3,5%, com margem de erro de 1,5%. Ou seja, a inflação poderia ficar entre 2% e 5%. No entanto, o relatório estima que o IPCA deve atingir 8,8%.

Para o próximo ano, o CMN projeta uma inflação de 3,5%. O BC espera que o IPCA atinja 4% e 2,7% em 2024.

Em casos em que a meta da inflação é ultrapassada, o Banco Central é obrigado a redigir uma carta com os motivos. A última vez que isso aconteceu foi no início deste ano, quando o IPCA atingiu 10,06%, o maior percentual desde 2015. Na carta, Roberto Campos Neto, presidente do BC, usou como justificativas a falta de insumos com a pandemia de covid, a alta das commodities e a crise hídrica.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Organização Mundial da Saúde alerta para aumento de casos de covid em quase todo o mundo
Agência Nacional do Petróleo quer elevar exigência de estoque para 9 dias, uma mudança para aumentar a segurança de abastecimento em meio aos riscos de faltar diesel no Brasil
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play