Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Crimes obscuros: Nos 50 anos de morte de Agatha Christie, autores escolhem suas preferidas entre as obras menos conhecidas da autora

A escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976) continua a ser um nome de referência da literatura policial em todo o mundo. Criadora de personagens como os detetives Hercule Poirot e Miss Marple, ela escreveu histórias atemporais que seguem gerando curiosidade e instigando leitores de todas as idades a desvendar seus mistérios.

Cinquenta anos após sua morte, Christie segue sendo uma das maiores autoras de todos os tempos: publicou mais de 80 obras, entre romances, contos e peças de teatro, que foram traduzidas para mais de 100 idiomas.

Suas histórias deram origem a espetáculos teatrais, seriados e muitos filmes. “Assassinato no Expresso do Oriente”, de 1934, e “Morte no Nilo”, de 1937, viraram filmes duas vezes, por exemplo, primeiro na década de 1970 e, mais recentemente, com o ator e diretor Kenneth Branagh no papel de Poirot. Recentemente, a Netflix lançou uma série baseada no livro O Mistério dos Sete Relógios.

Entre tantos livros, é natural que o público leitor acabe se limitando a títulos mais célebres da autora que ficou conhecida como Rainha ou Dama do Crime. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo consultou escritores de literatura policial e especialistas na obra da inglesa com uma missão: descobrir quais são os livros mais subestimados de sua obra, aqueles que são joias escondidas e merecem mais atenção dos leitores.

Treze à Mesa

“Minha indicação de obra subestimada da Agatha Christie é ‘Treze à Mesa’. Embora seja um livro menos conhecido pelo grande público, ele figura sem dúvidas na minha lista de favoritos do detetive Hercule Poirot. Na história, a atriz de teatro Jane contrata Poirot para provar sua inocência no assassinato do marido. Ela é a principal suspeita e tem todos os motivos para o crime, mas a sorte dela é que possui um álibi: no exato momento do assassinato, ela estava jantando com outras doze pessoas. Daí o título. Esse livro tem uma solução inteligentíssima e uma estrutura dramática tão marcante que acabou se tornando clássica, servindo inclusive de referência para o final de um dos meus próprios livros.” – Escritor e roteirista brasileiro de literatura policial, Raphael Montes.

O Misterioso Caso de Styles

“Foi na mansão de Styles que Hercule Poirot surgiu na ficção – e lá ela também se despediu, 55 anos depois. A aparição do detetive aconteceu em O Misterioso Caso de Styles, de 1920, primeiro romance de Agatha Christie. O romance é didático: apresenta todos os personagens, expõe a planta da mansão, reproduz pistas, monta a cena da revelação. Envolve o leitor. Mais de cem anos depois de sua publicação, a estreia da Dama do Crime continua a ser um ótimo guia de como funciona uma narrativa policial.” – Júlio Pimentel Pinto, professor no Departamento de História da USP e autor, entre outros, de Sobre Literatura e História

O Mistério de Sittaford

“A bibliografia de Agatha Christie é tão rica e extensa que várias de suas histórias acabam não recebendo a merecida atenção. O Mistério de Sittaford é um dos maiores exemplos disso. Uma joia escondida, esse romance é subestimado principalmente por não contar com os famosos detetives Hercule Poirot e Miss Marple, mas isso está longe de ser um defeito”. – Camila Carneiro, editora de ficção da editora HarperCollins, uma das casas editoriais de Agatha Christie no Brasil.

O Mistério dos Sete Relógios

“Quando pensamos em Agatha Christie, logo vêm à mente os detetives Hercule Poirot e Miss Marple. Mas a Rainha do Crime também escreveu histórias sem eles. O Mistério dos Sete Relógios é um livro que mistura mistério, humor e até espionagem. Se você já conhece os clássicos da autora, mergulhar nessa leitura fluida e dinâmica é como encontrar uma joia escondida”. – Vera Carvalho Assumpção, escritora de romances policiais, autora de Paisagens Noturnas, entre outros livros

Morte nas Nuvens

“Romance de 1935 que explora uma novidade: as viagens aéreas. Como nos outros bons livros de Agatha Christie, as investigações de Hercule Poirot nos mostram, pouco a pouco, que todos os passageiros estão enredados num caleidoscópio de paixões, traições e intrigas. O racionalismo metódico de Poirot, herdeiro da boa tradição do romance de detetive desenvolvido na Inglaterra, busca desvendar o lado sombrio da sociedade europeia do pós-guerra, para a qual a morte violenta se tornou um espetáculo asséptico, digno apenas de interesse literário”. – Jorge de Almeida, professor do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, autor de Pensamento Alemão no Século 20, entre outros livros. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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