Segunda-feira, 07 de setembro de 2026

Crise no Supremo: Integrantes do núcleo do dono do Banco Master pagavam despesas e organizavam eventos para autoridades e políticos

PET 16662. As três letras seguidas de cinco algarismos identificam uma investigação que vinha sendo conduzida em sigilo pela Polícia Federal. PET é sigla para Petição, no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o processo foi registrado em 28 de agosto. A apuração trata do banqueiro Daniel Vorcaro. Por isso, foi parar com André Mendonça, relator do caso Master.

Essa nova frente de investigação expõe relações do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o banqueiro. Todo o material foi produzido a partir da Operação Compliance Zero, que apreendeu celulares do banqueiro.

Reproduções das conversas encontradas no telefone de Vorcaro foram destacadas em relatório da PF encaminhado a Mendonça. Formalmente, nem Moraes nem Gonet estão na lista de investigados.

Relator do caso Banco Master, Mendonça levantou na terça-feira, 1º, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que compilou 51 mensagens comprometedoras entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, após o conteúdo ser revelado pelo Estadão.

Moraes atribui a Mendonça quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

O material produzido pela corporação indica que há “quadro indicativo de que André Mendonça adota posturas muito diferentes diante de ilicitudes aparentes relacionadas aos Ministros Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com sua percepção no que toca ao Ministro Alexandre de Moraes, apresentando discurso de defesa quanto aos dois primeiros”.

Já o presidente do Supremo, Edson Fachin, pediu explicações aos ministros sobre fatos relacionados ao relatório da Polícia Federal que expôs a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Também devem prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor da PF, Andrei Rodrigues.

Todos terão prazo de cinco dias úteis para fazer isso.

Operação

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, foi deflagrada para investigar a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele acabou sendo preso após descoberta de fraudes bancárias bilionárias. O Master foi liquidado pelo Banco Central

Prisão

Após ser preso, Vorcaro tentou por duas vezes negociar um acordo de delação premiada. Nas duas ocasiões, o pedido foi rejeitado pelas autoridades. Na tentativa mais recente, ocorrida em junho deste ano, a PF e o Ministério Público consideraram que o banqueiro não apresentou informações consistentes

Celular

Durante diligências, a PF apreendeu celulares dos alvos da investigação. No aparelho de Vorcaro foram encontradas conversas com autoridades da República. Entre elas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes

Uísque

Os peritos da PF também conseguiram recuperar mensagens em que Vorcaro trata de uma viagem de autoridades a Londres, com despesas pagas pelo Banco Master. Na viagem, houve uma degustação de uísque e charuto para os convidados

PGR

Um desses convidados foi o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que chegou a levar um filho na viagem. Vorcaro usava um intermediário, o advogado Ciro Soares, para falar com o chefe do Ministério Público Federal. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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