Domingo, 15 de março de 2026

Cuba retoma diálogo com os Estados Unidos em meio a grave crise

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que “funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas” com representantes dos Estados Unidos, em meio à tensão entre Washington e Havana. O diálogo ocorre enquanto a ilha enfrenta uma grave crise energética: com o petróleo escasso e apagões recorrentes, o governo cubano vive uma situação considerada crítica. A Venezuela, principal fornecedora de combustível do país, deixou de enviar petróleo a Havana há três meses.

Donald Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista (PCC, único) e localizada a apenas 150 km dos EUA. Segundo Washington, o país representa uma “ameaça excepcional”, principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.

“Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos”, afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão cubana. “As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações.”

Díaz-Canel, que também é primeiro secretário do PCC, destacou que essas conversas são facilitadas por “fatores internacionais” que não especificou.

Do lado americano, Trump instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências.

Nos últimos dias, o líder dos EUA afirmou que o regime cubano estaria próximo do colapso econômico, em meio à crise energética que afeta a ilha. Durante um evento na Casa Branca, o presidente declarou que Cuba não tem recursos para sustentar o governo.

“Cuba está no fim da linha. Eles não têm dinheiro. Não têm petróleo”, disse Trump.

O governo do México elogiou, nesta sexta-feira, as conversas entre Havana e Washington. A presidente Claudia Sheinbaum criticou o bloqueio imposto à ilha e afirmou que seu governo atuou na “promoção do diálogo”, tanto com autoridades dos Estados Unidos quanto com as de Cuba.

“Que bom. O México sempre vai promover a paz e o diálogo diplomático, sobretudo diante dessa injustiça que há muitos anos é cometida contra o povo de Cuba com o bloqueio”, disse a mandatária durante sua entrevista coletiva matinal.

Desde meados de janeiro, o presidente Trump assegurou que seu governo já mantinha conversas com altas lideranças da ilha, imersa há seis anos em uma crise sem precedentes, agravada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA.

A situação se agravou após a ofensiva do governo Trump contra a Venezuela. Washington prendeu o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assumiu o controle da estatal petrolífera do país e bloqueou o envio de combustível para Cuba, que dependia de Caracas como principal fornecedora de petróleo.

A escassez de diesel já obrigou o governo cubano a reduzir serviços públicos, incluindo transporte coletivo e cirurgias eletivas em hospitais, segundo relatos divulgados pela imprensa americana.

Dependente de importações para cerca de 60% de seu abastecimento de combustível, especialistas estimam que Cuba poderia ficar sem reservas ainda neste mês.

Díaz-Canel enfatizou que as conversas com os EUA buscam “em primeiro lugar identificar quais são os problemas bilaterais que precisam de uma solução a partir da gravidade que têm”. Do mesmo modo, pretendem “determinar a disposição de ambas as partes de concretizar ações em benefício dos povos de ambos os países” e “identificar áreas de cooperação”, detalhou.

Segundo o presidente cubano, durante as conversas, Havana expressou sua “vontade de levar adiante esse processo, com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, à soberania e à autodeterminação”.

O líder cubano ainda advertiu que as negociações devem levar tempo para produzir resultados.

“Agendas são construídas, negociações e conversas acontecem e acordos são alcançados, algo que ainda está distante, porque estamos nas fases iniciais desse processo”, afirmou.

Especialistas afirmam que qualquer acordo significativo entre Washington e Havana provavelmente envolveria exigências políticas por parte dos Estados Unidos, como a libertação de presos políticos, maior abertura para organização política independente e garantias de liberdades civis, incluindo liberdade de expressão e de imprensa.

Segundo a organização Prisoners Defenders, atualmente há cerca de 1.214 presos políticos em Cuba. A diretora para as Américas da Human Rights Watch, Juanita Goebertus, disse ao jornal El País que Havana deveria divulgar a identidade dos 51 detentos cuja libertação foi anunciada e ampliar a medida.

A liberação ocorrerá após mediação do Vaticano, histórico intermediário nas negociações entre Cuba e Estados Unidos.

“A principal questão é saber se mudanças políticas, sociais e cívicas também farão parte de qualquer acordo”, afirmou Ted Henken, especialista em Cuba do Baruch College. (Com informações da AFP e do The New York Times)

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