Sexta-feira, 17 de julho de 2026

Culpa e lucro com o tarifaço americano

Por mais que se tente desentortar uma banana, o resultado será sempre o mesmo.

Isso explica a posição do governo brasileiro que assiste passivamente à degeneração das relações comerciais do Brasil com os EUA, o maior investidor direto no nosso país.

Um presidente falastrão e extremamente populista à moda antiga não poderia colher outros frutos senão as restrições comerciais de um país e seu presidente que são sistematicamente atacados por discursos infantilóides e demagogos feitos exclusivamente para claques com notórias restrições cognitivas e invariavelmente doutrinadas.

Mas na contramão de tudo isso e escondido atrás de um discurso de falso nacionalismo e soberania está a real intenção eleitoreira de colher frutos com um coitadismo e pseudo espinha dorsal frente ao imperialismo.

Para o atual governo e a sua absoluta fixação eleitoral, o tarifaço é uma benção que abastece o seu discurso eivado de fanatismo e ideologia.

O pretexto de defender o Brasil contra os EUA é o tempero forte para a campanha eleitoral que se aproxima, mesmo que o mesmo não se pratique contra a predadora China, que, como gafanhoto, deixa terra arrasada por onde passa.

Soma-se a isso a timidez das organizações produtivas, que é combustível para o que está acontecendo, e nos faz ver muita babação com a coroa imperial brasiliense, se perdendo em discursos acanhados e acovardados pela ditadura do consórcio PT/STF. Todos têm medo.

Uma nação sem democracia paga uma conta alta para o mundo civilizado e o Brasil surge como expoente desse fenômeno a partir das forças que tomaram conta do país e se mantém com mão de ferro destruindo empresas, reputações, vidas, famílias e propostas divergentes.

As exceções aplicadas pelos EUA no tarifaço focam exclusivamente o interesse do cidadão americano e correm o risco de ser suprimidas à medida que eles encontrarem novos fornecedores.

Será mercado perdido e difícil de recuperar, porque somos grandes produtores de commodities alimentares, mas não somos o centro do mundo e isso precisa ser assumido por nossos arrogantes governantes.

A espiral descendente da nossa economia se acentua progressivamente e a esperança do governo com a reforma tributária que lhe concederá poder supremo sobre os recursos arrancados do bolso do cidadão vai se revelar uma falsa premissa que custará caro ao país.

Enquanto isso, os números fantasiosos divulgados pela Secom e IBGE já não enganam mais ninguém, afinal nem os números divulgados diretamente pelos ministérios merecem mais credibilidade.

A mentira encontra cada vez mais dificuldades para atropelar os fatos.

* Gustavo Victorino, deputado estadual do RS

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