Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.
O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.
“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.
“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar aqui dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.
Em 2021, os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.
Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.
Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.
A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.
“Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”
A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio:“jedtoffoli”. Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.
As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa – que já advogou para a JBS em causas tributárias. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)