Quarta-feira, 02 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de setembro de 2026
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em depoimento ao gabinete do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que sofreu tortura psicológica, maus tratos e ameaças veladas na prisão para não relatar fatos ligados à PF (Polícia Federal) em uma eventual delação premiada.
O depoimento, gravado em vídeo, foi dado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e a um procurador da República.
O dono do Banco Master disse que, em sua opinião, a PF recusou sua proposta delação premiada três vezes porque ele poderia citar o nome do diretor-geral do órgão, Andrei Rodrigues.
O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, e o diretor-geral da PF não se manifestaram.
Integrantes da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmaram à coluna que o ex-banqueiro não trouxe fatos concretos que configurassem maus-tratos e que, na verdade, está tentando arrumar pretextos para que seja aberta uma nova negociação em torno de uma colaboração premiada.
No depoimento, Vorcaro afirmou que teve os olhos vendados em uma das transferências de estabelecimentos prisionais e que passou calor em um camburão. Afirma ainda que agentes que o escoltavam diziam que, se ele falasse do diretor-geral da PF, ficaria preso para sempre.
Disse que passou pela mesma situação de Nicolás Maduro quando foi sequestrado pelos EUA na Venezuela.
Interlocutores de Andrei Rodrigues afirmam que ele jamais teve relação com Vorcaro e que ambos se encontraram apenas uma vez e casualmente, em Londres, em um seminário jurídico organizado pelo grupo Voto.
O Banco Master patrocinou o evento, mas isso não era divulgado na época.
Agentes afirmam ainda à coluna que Vorcaro poderia perfeitamente ter procurado a PGR (Procuradoria-Geral da República) para fechar uma delação sem a PF.
O depoimento está sendo visto como uma manobra combinada com o gabinete de Mendonça para que a delação seja feita sem a participação da PF, e com integrantes da PGR aceitos por ele.
Mendonça confirmou nessa quarta-feira (2) que houve um recente depoimento de Vorcaro, preso pelo escândalo do Master, com presença do Ministério Público e sem a Polícia Federal (PF).
De acordo com nota publicada na tarde dessa quarta, por meio de sua assessoria de imprensa, não foram abordados temas relacionados a seu colega de corte Alexandre de Moraes.
Moraes está no centro de uma das mais graves crises da história do Supremo, após a revelação de que o ministro mantinha contato com Vorcaro e tratava com o ex-banqueiro justamente das investigações contra o Master.
O depoimento no gabinete de Mendonça, relator da investigação do Master no Supremo, sem a PF, foi revelado pelo jornal O Globo.
“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, afirmou o ministro, por meio de nota. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)