Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Demissão de 16 mil pessoas na Amazon também afeta o Brasil

A decisão da Amazon de demitir cerca de 16 mil funcionários na quarta-feira (28) também atingiu trabalhadores no Brasil. Um dos profissionais desligados relatou, sob condição de anonimato, como foi informado sobre a decisão e afirmou conhecer outros empregados que também perderam seus cargos no País.

“É assustador. A gente nunca espera que vá acontecer com a gente, ainda mais quando está sendo bem avaliado. Quando acontece, não tem para onde correr”, disse.

Esta foi a segunda rodada de demissões promovida pela empresa desde outubro, quando outros 14 mil funcionários foram dispensados. Ao todo, cerca de 10% do quadro corporativo da Amazon foi afetado, segundo informações da agência Reuters.

Considerando todas as áreas de atuação, incluindo centros de distribuição, a companhia emprega aproximadamente 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo.

Rumores sobre uma nova onda de desligamentos começaram a circular na sexta-feira (23), o que deixou os funcionários em estado de alerta. “Havia um silêncio muito suspeito desde segunda-feira. A empresa inteira estava tensa, desconfiando de que alguma coisa iria acontecer”, relatou o profissional.

Na terça-feira (27), a Amazon enviou por engano um comunicado interno que se referia às demissões como “Project Dawn” e informava, de forma incorreta, que funcionários nos Estados Unidos, no Canadá e na Costa Rica já haviam sido notificados sobre seus desligamentos.

No dia das demissões, o trabalhador recebeu um convite para uma reunião por videoconferência com o setor de Recursos Humanos. Segundo ele, a conversa foi respeitosa, mas objetiva. O profissional foi informado de que seu desempenho não influenciou a decisão e que o cargo havia deixado de ser necessário. A empresa concedeu 40 minutos para a retirada de arquivos pessoais do computador corporativo.

“A justificativa apresentada foi a de eliminar níveis hierárquicos, reduzir burocracias e tornar a organização mais enxuta”, afirmou.

Essa foi também a explicação oficial da Amazon. Em comunicado assinado por Beth Galetti, vice-presidente de experiência de pessoas e tecnologia, a empresa reiterou a estratégia de reestruturação. “Como compartilhei em outubro, temos trabalhado para fortalecer nossa organização reduzindo camadas, aumentando a responsabilidade e eliminando burocracias”, disse a executiva.

O ex-funcionário lamentou que demissões em massa tenham se tornado recorrentes no setor de tecnologia. “Não acho normal impactar a vida de milhares de pessoas em nome de uma otimização, especialmente quando os resultados recentes da empresa foram positivos”, afirmou.

Impacto da inteligência artificial

Em junho de 2025, o CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que a adoção de inteligência artificial deve reduzir a necessidade de trabalhadores em algumas funções, ao mesmo tempo em que cria demanda por novos tipos de trabalho.

“Nos próximos anos, esperamos uma redução no número total de funcionários à medida que obtivermos ganhos de eficiência com o uso amplo de IA em toda a organização”, disse Jassy à época.

O ex-funcionário, no entanto, avalia que a IA não foi o fator determinante para sua demissão. “Usávamos inteligência artificial nas tarefas, mas vejo isso muito mais como uma decisão de corte de custos e de entrega de valor ao acionista”, afirmou.

A Amazon divulgará o balanço do quarto trimestre de 2025 na próxima quinta-feira (5). No terceiro trimestre, a empresa registrou crescimento de 13% na receita, enquanto o lucro permaneceu estável.

Na terça-feira, a companhia também anunciou cortes de vagas nas divisões Amazon Fresh, de supermercados, e Amazon Go, de lojas de conveniência, além de planos para fechar unidades físicas dessas redes e converter parte delas em lojas da Whole Foods.

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