Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de agosto de 2026
O depoimento que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, daria à Polícia Federal nessa quinta-feira (28) foi adiado por problemas técnicos no sistema de videoconferência. A oitiva fazia parte das investigações conduzidas pela corporação e deverá ocorrer em uma nova data.
Vorcaro falaria aos investigadores a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde está preso preventivamente desde junho. Uma nova oitiva foi remarcada para a manhã desta sexta (29), segundo informações sobre o andamento do caso.
“A defesa aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para realização da audiência virtual, o que não foi possível. Desta forma, será designada nova data quando nosso cliente será ouvido sobre os fatos”, disse, em nota, o advogado Daniel Bialski, que representa Vorcaro junto com Sérgio Leonardo.
O depoimento havia sido inicialmente agendado para a semana passada, mas um primeiro adiamento já havia ocorrido a pedido da defesa. Na ocasião, os advogados alegaram que ainda não tinham acesso à íntegra dos autos e, por isso, solicitaram mais tempo antes da realização da oitiva.
A nova audiência deverá ocorrer em um momento em que a Polícia Federal analisa diferentes aspectos relacionados às atividades do Banco Master e à atuação de Vorcaro. Seria a primeira oitiva do banqueiro após a PF recusar duas propostas de delação premiada apresentadas por sua defesa.
Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram “insuficientes” para trazer elementos novos às apurações. Com a rejeição das propostas, o depoimento previsto para esta semana passou a ser uma das etapas da investigação envolvendo o empresário.
A expectativa é que Vorcaro seja questionado, quando o depoimento for realizado, sobre a articulação dele junto a ex-diretores do Banco Central na tentativa de impedir que o Master fosse liquidado. A liquidação do banco acabou ocorrendo em novembro de 2025.
Segundo as investigações da PF, dois ex-diretores do Banco Central atuaram como “consultores” e “empregados” do banqueiro, orientando-o sobre como deveria proceder diante de questionamentos feitos pela instituição financeira. As circunstâncias dessa atuação estão entre os pontos que deverão ser esclarecidos no decorrer das apurações.
Na época em que o banco foi liquidado, Vorcaro foi detido pela primeira vez sob a suspeita de tentar fugir do país, acusação que ele nega. Posteriormente, permaneceu preso preventivamente.
A liquidação extrajudicial foi decretada “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, diz ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. (Com informações do jornal O Globo)