Quinta-feira, 12 de março de 2026

Deputado aciona PF para investigar escassez de diesel no RS

Diesel retido

Na esteira de relatos do agro gaúcho, o deputado Miguel Rossetto (PT) entregou nessa quarta-feira à Polícia Federal um pedido formal de investigação sobre possíveis crimes contra a ordem econômica no abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul. A iniciativa baseia-se em dados da ANP que indicam a existência de estoques suficientes no sistema, com um volume de vendas para postos 60% superior à média nos primeiros dias de março. O parlamentar suspeita de práticas abusivas ou formação de cartel por parte de distribuidoras e transportadores-revendedores-retalhistas (TRRs), que estariam retendo o produto indevidamente. Rossetto destacou a gravidade da escassez em pleno período de colheita da safra de verão, defendendo que a PF identifique responsabilidades pela interrupção do fluxo para o campo. Além da esfera policial, o deputado propôs uma audiência pública na Assembleia Legislativa para cobrar esclarecimentos de órgãos reguladores e representantes do setor de combustíveis.

Irrigação gaúcha

Cumprindo agendas em Brasília, o governador Eduardo Leite apresentou ontem (11) ao Ministério da Agricultura uma proposta para estender a suspensão da dívida com a União e destinar os recursos ao Plano Irrigação Resiliente do RS. O projeto busca romper o ciclo de perdas que, nos últimos seis anos, causou um prejuízo acumulado de R$ 126 bilhões aos produtores gaúchos devido a estiagens recorrentes. A meta central é ampliar em até 1,7 milhão de hectares a área irrigada no Estado, focando em culturas como soja e milho, que hoje possuem menos de 5% de cobertura tecnológica contra a seca. Além da construção de barragens e canais, o governo estima que o aumento da produtividade possa elevar a arrecadação de ICMS em até R$ 1,4 bilhão por ano, justificando o investimento como solução para a estabilidade fiscal. Recebida com sinalização positiva pelo ministro Carlos Fávaro, a proposta seguirá agora para aprofundamento técnico e articulação política junto ao governo federal e ao Congresso.

Atendimento humanizado

O governo gaúcho oficializou nessa quarta-feira uma estratégia inédita para humanizar o socorro a pessoas em surtos psiquiátricos ou crises decorrentes da dependência química. O novo protocolo integra as centrais 190, 192 e 193, utilizando um roteiro unificado de perguntas para definir se a ocorrência exige a intervenção imediata da polícia ou apenas suporte médico. Em situações de alto risco, como ameaças com armas ou tentativas de suicídio, forças de segurança e equipes do Samu atuarão em conjunto, enquanto casos de menor gravidade ficarão sob responsabilidade exclusiva da saúde. Para viabilizar a mudança, o Estado investirá R$ 19 milhões anuais na contratação de profissionais especializados em 80 municípios e na qualificação técnica de 3,1 mil policiais por mês. A iniciativa também aposta na prevenção ao disponibilizar guias práticos para que familiares aprendam a manejar sinais precoces de instabilidade mental sem a necessidade de recorrer à força física.

Precariedade farmacêutica

O deputado Valdeci Oliveira (PT) denunciou na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa a paralisia na assistência farmacêutica estadual, que estaria deixando milhares de gaúchos sem acesso a tratamentos vitais. Segundo o parlamentar, a espera por medicamentos especializados, insulinas e dietas para recém-nascidos já ultrapassa os 90 dias em diversos casos, gerando riscos severos de agravamento clínico. A denúncia é amparada por uma carta aberta de farmacêuticos e por alertas do Conselho Federal de Farmácia, que relatam processos de reavaliação travados na Secretaria Estadual da Saúde desde o ano passado. O petista cobrou o reforço das equipes de análise e a revisão dos fluxos internos, apontando que os profissionais da linha de frente estão sem autonomia para resolver o gargalo administrativo.

Corsan em pauta

A diretora-presidente da Corsan, Samanta Takimi, prestou esclarecimentos nessa quarta-feira à Assembleia Legislativa sobre investimentos feitos pela companhia desde 2023 e respondeu às críticas de consumidores em relação às tarifas e serviços. A executiva anunciou a previsão de mais R$ 1,5 bilhão em obras para 2026, com foco na universalização do esgoto em cidades como Esteio, Pedras Altas e Aceguá, onde o abastecimento de água já foi concluído. Em relação às queixas de faturas abusivas, a companhia do grupo Aegea negou irregularidades, atribuindo as variações ao consumo de verão, embora o Procon relate ciclos de leitura de até 50 dias. Atualmente, o Ministério Público monitora 66 inquéritos civis e 10 ações coletivas contra a empresa por temas que vão do desabastecimento crônico a danos na pavimentação urbana.

* Bruno Laux (@obrunolaux)

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