Sábado, 29 de novembro de 2025

Deputado federal diz ter se arrependido de ter tratado Bolsonaro como “mito”

Em mais um movimento de afastamento do bolsonarismo, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) disse que “se arrepende” de ter tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “mito” e afirmou que tem preferido “andar sozinho do que mal acompanhado”. Em discurso na tribuna da Câmara, o parlamentar, que atua como pastor da Assembleia de Deus Missão, também afirmou que não quer mais ser visto como “extremista”. A declaração foi feita ontem, no dia seguinte à determinação de trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro e dos outros sete réus do núcleo crucial da trama golpista.

“Me arrependo quando gritei mito num lugar onde só deveria cultuar o Senhor. A culpa nunca foi de Bolsonaro. A culpa foi minha mesmo. Por isso, resolvi alertar meus irmãos que estão no mesmo lugar que ainda estive”, disse. “Estou envergonhado, porque não parecia um pastor. Parecia um louco, que acha que tudo se resolve na bala e no tiro.”

Durante o mandato de Bolsonaro na presidência, Otoni chegou a ocupar a função de vice-líder do governo na Câmara. O parlamentar, no entanto, tem intensificado sinais de distanciamento do bolsonarismo e de aproximação do governo Lula nos últimos meses. No ano passado, por exemplo, ele agradeceu publicamente e fez elogios ao petista pela criação do Dia Nacional da Música Gospel. À época, o aceno gerou acusações de traição política por expoentes protestantes.

O afastamento também se aprofundou após o parlamentar agir como articulador da candidatura à reeleição do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e não apoiar o nome escolhido pelo bolsonarismo na disputa municipal do ano passado, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Já em fevereiro deste ano, ele perdeu a disputa pelo comando da Frente Parlamentar Evangélica no início deste ano para o deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), que angariou o apoio do ex-presidente e seus aliados.

Recentemente, Otoni também ficou do lado do governo ao se manifestar a favor da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, após o anúncio da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Ele também foi crítico à realização da megaoperação contra o Comando Vermelho, que resultou na morte de 122 pessoas, realizada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ).

“Ao invés de ficar ao lado da Justiça, eu preguei que bandido tem que morrer. Em vez de denunciar o pecado do racismo, preferi dizer que racismo não existe na minha nação. Em vez de ser a favor da equidade, resolvi ser a favor da tal meritocracia. Como se filho de pobre pudesse concorrer com o rico”, acrescentou em seu discurso. (Com informações do jornal O Globo)

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