Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de julho de 2026
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de participação no esquema de fraudes em descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os investigados estão o ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), apontados pela corporação como integrantes da estrutura que teria garantido proteção política e institucional ao esquema.
Segundo o relatório final da Polícia Federal, José Carlos Oliveira, que também presidiu o INSS antes de assumir o ministério, teria utilizado sua posição para assegurar a inação da autarquia diante das irregularidades. Os investigadores afirmam que ele recebeu ao menos R$ 550 mil em propinas provenientes da organização criminosa. O ex-ministro, que atualmente utiliza o nome Ahmed Mohamad após conversão ao islamismo, foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele nega as acusações.
O deputado federal Euclydes Pettersen também foi indiciado sob suspeita de receber vantagens indevidas para oferecer proteção política ao esquema de descontos ilegais. A investigação aponta que o parlamentar mantinha relação com integrantes da organização e teria atuado para favorecer os interesses do grupo junto ao INSS. Em fevereiro, durante o avanço das apurações, a Polícia Federal chegou a apreender um avião e outros bens ligados ao deputado. Por meio de sua defesa, Pettersen nega qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas.
Além dos dois, também foi indiciado o vereador Marcelo de Oliveira Silva (PMN), de São Félix de Minas (MG). Ao todo, a investigação identificou um núcleo responsável por operacionalizar descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, utilizando entidades conveniadas ao INSS para efetuar cobranças sem consentimento dos aposentados e pensionistas. A Polícia Federal sustenta que parte dos recursos arrecadados era desviada para empresas de fachada e operadores financeiros, que posteriormente distribuíam valores a agentes públicos e políticos envolvidos no esquema.
O inquérito integra a Operação Sem Desconto, deflagrada para investigar fraudes bilionárias relacionadas aos descontos em benefícios previdenciários. As apurações apontam que entidades firmavam acordos com o INSS para descontar mensalidades diretamente dos pagamentos de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem autorização dos beneficiários. A Polícia Federal afirma que os recursos desviados abasteciam uma estrutura de lavagem de dinheiro, pagamento de propinas e financiamento da organização criminosa.
Com a conclusão desta etapa da investigação, o relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que analisará os elementos reunidos pela Polícia Federal para decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça. As investigações sobre outros núcleos do esquema continuam em andamento.