Domingo, 25 de janeiro de 2026

Desafio de férias: deixar o celular de lado e optar por programas ao ar livre

E as férias tão sonhadas de verão chegaram, o que é muito bom, principalmente para os estudantes que podem aproveitar uma praia, piscina, viajar, brincar com os amigos e mais muito mais. O problema é que a brincadeira, atualmente, esbarra num aparelho muito pequeno, que nem todo mundo quer abrir mão: o celular. Seja para ficar nas redes sociais ou para jogar, o fato é que o telefone móvel veio para ficar e pode, várias vezes, virar um estorvo na vida das famílias. E afinal, como os pais devem fazer para que seus filhos aproveitem as férias, sem abrir mão totalmente do celular, mas que ele não seja uma parte acoplada ao corpo?

A tarefa é árdua, mas possível. Até porque o uso excessivo de telas pode interferir na atenção, no sono e até no comportamento das crianças como afirma a neurologista infantil, Roberta Machado. Por isso, as férias são uma excelente oportunidade para desacelerar, fortalecer os vínculos familiares e estimular o desenvolvimento infantil de forma mais saudável.

“Uma boa alternativa é assistir filmes em família. Mais do que entretenimento, esse momento pode ser muito rico. Quando os pais escolhem filmes adequados à idade e conversam com a criança sobre a história, os personagens e as emoções envolvidas, estão estimulando a linguagem, a memória, a empatia e o senso crítico”, diz ela, acrescentando que o equilíbrio é sempre a chave. “Menos telas e mais presença ajudam a construir férias mais saudáveis, afetivas e cheias de boas memórias para toda a família”, pontua.

Combinados 

De acordo com a fonoaudióloga Leticia Sena, durante as férias, é comum que as telas acabem ocupando mais espaço na rotina das crianças. “O segredo para reduzir esse tempo não é proibir, e sim substituir. Quando oferecemos opções interessantes — como brincar ao ar livre, desenhar, montar jogos, cozinhar juntos ou inventar histórias — a tela deixa de ser a única fonte de diversão. Criança precisa de estímulos reais, movimento e interação para se desenvolver bem”, analisa.

A profissional orienta criar uma rotina flexível de férias. “Não precisa ser rígida como a da escola, mas ter alguns combinados ajuda bastante: horários sem tela (como nas refeições e antes de dormir) e momentos específicos em que ela pode ser usada. Quando a criança sabe o que esperar, as birras diminuem e a convivência fica mais leve”, afirma.

De acordo com Sena, deve-se ter atenção ao uso das telas porque a fala da criança não se desenvolve sozinha, ela nasce da interação com pessoas reais. É na conversa, no olhar, na brincadeira compartilhada e na troca com adultos e outras crianças que o cérebro aprende a se comunicar. Quando a tela ocupa esse tempo, a criança fala menos, escuta menos e tem menos oportunidades de aprender novas palavras.

“Isso não significa que a tela seja uma vilã absoluta. Ela pode até ser usada com equilíbrio, desde que seja por pouco tempo, com conteúdo adequado e controlado pelos pais e, principalmente, com um adulto junto, conversando sobre o que está sendo visto ou imitando uma coreografia ou cantando uma música que está tocando, junto com a criança”, explica.

Busque equilíbrio

Quem também responde a pergunta dos pais de como manter as crianças e adolescentes estimulados sem transformar o período de descanso em uma extensão da sala de aula é Filipe Couto, diretor Pedagógico Geral do Colégio pH. Segundo ele, o segredo está justamente em equilibrar descanso, experiências reais e estímulos significativos que ampliem o repertório, sem cair na tentação de ‘escolarizar’ as férias. “Não é necessário ter medo de que a criança ‘perca o que aprendeu, Pelo contrário: o cérebro precisa de pausas e de outros estímulos para consolidar os aprendizados”, explica o diretor.

“Ao longo das férias, experiências concretas reforçam o que foi aprendido ao longo do ano. Se a turma estudou plantas, uma visita ao Jardim Botânico pode aprofundar o conteúdo; se discutiu escravidão, um passeio ao Cais do Valongo é uma boa dica de programação e amplia sentidos; e se leu um livro marcante, por exemplo, uma ida à biblioteca fortalece o hábito”, enfatiza.

Além disso, o diretor destaca que as férias são também um período de convivência e formação cidadã: “Atividades cotidianas como ajudar na cozinha, arrumar a cama ou participar da organização da casa também desenvolvem autonomia, responsabilidade e cuidado coletivo — aprendizagens tão importantes quanto as acadêmicas”. (Com informações de O Dia)

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