Segunda-feira, 06 de abril de 2026

Desaprovação do presidente argentino bate recorde desde a sua posse, apesar de quedas robustas nas taxas de inflação e de pobreza

Os argentinos dão motivos para Javier Milei preocupar-se desde já com as próximas eleições presidenciais, que serão realizadas em outubro de 2027. Com sua desaprovação por 61,6% da população, conforme pesquisa de março do instituto AtlasIntel, o mandatário vê-se politicamente fragilizado enquanto ainda tem missões a cumprir na seara econômica.

Trata-se da maior taxa de impopularidade do presidente argentino desde que chegou ao poder, em dezembro de 2023, e de alta de 6,3 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, de fevereiro. Seu governo igualmente alcançou um recorde na avaliação como “muito ruim”, de 57,4%.

Para uma gestão que entregou aos argentinos —por meio de reformas ortodoxas apoiadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e endossadas pelo Congresso da Nação— uma queda da inflação de 211,4% em 2023 para uma taxa acumulada de 33,1% nos 12 meses encerrados em fevereiro, tal corrosão da imagem de Milei parece inusitada.

A estranheza se acentua em face do recuo da população em situação de pobreza, de 41,7% no segundo semestre de 2023 para 28,2% em igual período do ano passado, conforme os dados do instituto oficial de estatísticas.

O cenário sugere desalinhamento entre a percepção popular e os números —o Produto Interno Bruto cresceu 4,4% em 2025, após dois anos de queda.

Se a situação econômica está ruim para 65% dos argentinos, na opinião de 57% ela ainda vai piorar nos próximos seis meses, segundo o AtlasIntel. A inflação continua a ser um dos principais problemas do país para 35,3%.

A reforma trabalhista de Milei, recentemente freada pela Justiça do Trabalho, pode ter repercutido na resposta de 74% dos entrevistados que consideraram grave a situação atual do mercado de trabalho. As mudanças provocaram elogios do FMI, ao concluir a avaliação da Argentina na última quinta-feira (2). Mas também vieram cobranças.

O Fundo, credor de US$ 41,8 bilhões, reforçou a necessidade de Milei mitigar os efeitos sociais de suas reformas e concluir o plano de estabilização, desregulação e abertura econômica.

Milei, que recebeu herança desastrosa do populismo peronista, muito fará pelos argentinos se vier a entregar a economia algo estabilizada ao final de seu mandato, sua principal promessa aos eleitores em 2023. Mesmo que isso não resulte na melhoria de popularidade e na manutenção do seu posto em 2027, os sacrifícios da sociedade durante o período não terão sido em vão. Com informações da Folha de S. Paulo.

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