Sábado, 17 de janeiro de 2026

Descansar também é parte do aprendizado: Ulbra aposta na Casa de Verão para integrar saúde mental e convivência acadêmica

No Brasil, o calendário acadêmico é marcado por provas, trabalhos e prazos que se acumulam ao longo do semestre. Mas há um momento que, muitas vezes, é subestimado: as férias. Longe de serem apenas uma pausa, elas cumprem um papel estratégico na formação dos estudantes. A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) tem reforçado essa visão ao destacar que o descanso é parte essencial do aprendizado e ao oferecer, no litoral norte gaúcho, a Casa de Verão da Ulbra, espaço de convivência e lazer que amplia a experiência universitária para além da sala de aula.

Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Ulbra, Vinicius Tonollier, as férias funcionam como um “reset cognitivo”. O acúmulo de prazos e obrigações ao longo do semestre, somado à rotina de trabalho e vida pessoal, gera desgaste que compromete atenção, memória e rendimento. “O período sem aulas contribui para o descanso e a recarga de energias para mais um ano. A exaustão pode ser superada, funcionando como um tipo de reinício para o estudante”, explica.

Neurociência e memória

Sob a ótica da neurociência, o aprendizado não depende apenas da absorção contínua de informações. A memória de trabalho, responsável por organizar conteúdos e experiências, tem capacidade limitada. “Tão importante quanto lembrar é também esquecer. Uma memória menos sobrecarregada se torna mais eficaz, e o descanso contribui diretamente para isso”, afirma Tonollier.

Pesquisas recentes reforçam esse ponto. Um estudo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) mostra que o cansaço acumulado compromete desempenho acadêmico e saúde mental, e que pausas regulares reduzem sintomas de ansiedade e melhoram a retenção de informações. Internacionalmente, universidades americanas e europeias investem em “summer campuses” e residências culturais durante as férias, reconhecendo que o descanso é parte da formação.

Desafios contemporâneos

Durante as férias, famílias enfrentam o desafio de equilibrar descanso e hábitos saudáveis, especialmente entre crianças e adolescentes. O uso excessivo de telas é uma preocupação crescente. “O excesso de telas pode trazer repercussões negativas para a aprendizagem e para a saúde mental. Desconectar também pode ser uma forma de cuidado”, orienta o psicólogo.

Mudanças de rotina, comuns nesse período, também fazem parte da experiência. Alterações no sono e na disposição são esperadas, mas funcionam como parte do processo de readaptação ao retorno das atividades.

Casa de Verão da Ulbra

É nesse contexto que a Ulbra mantém sua Casa de Verão, localizada na Saba, em Atlântida. O espaço funciona como extensão da universidade, oferecendo convivência, lazer e cultura. Com atrações musicais ao fim de tarde nas sextas, sábados e domingos, além de atividades recreativas como jogos de futmesa, a Casa de Verão se torna um ponto de encontro para estudantes, professores e comunidade.

Mais do que entretenimento, a iniciativa reforça a ideia de que o aprendizado é contínuo e se dá também nos momentos de pausa. A convivência fora do ambiente acadêmico fortalece vínculos, estimula criatividade e contribui para a saúde mental.

Educação e bem-estar

Em um país onde a pressão por produtividade muitas vezes se sobrepõe ao bem-estar, iniciativas como a Casa de Verão da Ulbra apontam para uma visão mais ampla da educação. O descanso é parte do processo formativo, não apenas intervalo. Ele garante que o estudante retorne mais preparado, com maior capacidade de atenção e memória, além de disposição para enfrentar novos desafios.

Ao integrar ciência, cultura e lazer, a Ulbra sinaliza que a universidade não é apenas espaço de aulas, mas também de cuidado e convivência. O desafio, daqui para frente, é transformar o descanso em política educacional estruturada, e não apenas em iniciativas pontuais.(por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

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