Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Desentendimento, acareação e telefonema de ministro do Supremo: veja como foi a audiência do caso do Banco Master

A série de depoimentos colhidos no Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (30), sobre a investigação de irregularidades no Banco Master teve desentendimento entre delegada e juiz, acareação de investigados e até telefonema de ministro do STF para definir o roteiro do ato processual.

A pedido do ministro do STF Dias Toffoli, relator do caso, a Polícia Federal (PF) ouviu Daniel Vorcaro, dono do Master, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino. Foram quase oito horas entre a coleta dos depoimentos e a acareação dos dois investigados.

O diretor do BC, que não é investigado, acabou sendo dispensado de ficar frente a frente com Vorcaro e Paulo Henrique para o confronto de versões.

Antes do início dos depoimentos, a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo e o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek se desentenderam sobre a condução do ato processual. Procurados, o STF e a PF não se manifestaram sobre a discordância.

A delegada chegou ao STF disposta a cumprir a ordem original de Toffoli: fazer a acareação (confronto de versões) entre os intimados. Adamek, auxiliar de Toffoli, avisou que primeiro deveriam ser tomados os depoimentos, segundo apurou o Estadão.

No dia anterior, o STF havia divulgado nota afirmando que a acareação só seria feita se a delegada considerasse necessário. No entanto, não foi enviado nenhum comunicado formal à Polícia Federal sobre a mudança na ordem original de Toffoli. Adamek ligou para o ministro do STF, que determinou, por telefone, que os depoimentos fossem tomados antes.

O juiz entregou para a delegada uma lista de perguntas que deveriam ser feitas a Vorcaro. A investigadora disse que caberia a ela decidir o que perguntar – o que fez com que ambos elevassem o tom do desentendimento. Adamek, então, ligou novamente para Toffoli, que ordenou que as perguntas fossem feitas como se fossem dele próprio.

Críticas

Daniel Vorcaro foi o primeiro a prestar depoimento. Seu interrogatório durou cerca de três horas. Foi a primeira vez que ele foi interrogado pela delegada, a mesma que pedira sua prisão por fraudes no Banco Master no processo de tentativa de venda para o Banco Regional de Brasília.

Vorcaro afirmou no depoimento que foi “supreendido” com a liquidação do Master pelo Banco Central e criticou a instituição.

Na sequência foi ouvido o ex-presidente do BRB. Seu interrogatório durou duas horas. Depois, foi a vez do diretor do Banco Central ser ouvido. Como não está entre os investigados, o diretor do BC foi dispensado da acareação.

A avaliação dos investigadores e da equipe do ministro Dias Toffoli foi de que o depoimento de Aquino forneceu dados detalhados da fiscalização sobre o Banco Master que deixaram “em situação difícil” Vorcaro e Paulo Henrique.

A delegada passou então a interpelar Vorcaro e o ex-presidente do BRB sobre contradições nos depoimentos que tinham prestado. A acareação durou apenas meia hora.

Investigações

A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre a gestão do Banco Master detectou indícios de que a instituição comandada por Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.

Esse montante teria sido transferido do BRB ao Master entre janeiro e maio deste ano, e foi motivo de uma ordem judicial que permitiu o bloqueio de bens nesse valor. Em um período mais amplo, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao banco privado.

Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central afirmou que a liquidação do Master se deu em razão de uma “profunda e crônica crise de liquidez” da instituição e de um “grave e reiterado descumprimento de normas que disciplinam sua atividade” por parte da empresa de Daniel Vorcaro.

A instituição chefiada por Gabriel Galípolo disse que, sete dias após decretar a liquidação do Banco Master, o BC fez uma nova comunicação de crime ao Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas na condução do banco.

“Em 25 de novembro de 2025, após a decretação da liquidação extrajudicial, realizou-se nova comunicação de crime ao MPF, por indícios de condutas relacionadas à gestão fraudulenta de instituição financeira, à realização de operação simulada ou sem lastro e ao emprego de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica”, diz o Banco Central. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Alexandre de Moraes mantém preso homem condenado por instalar bomba perto do aeroporto de Brasília
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em depoimento prestado no Supremo que foi “surpreendido” com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e disse que a instituição financeira era “solvente” até aquela data
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play