Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de janeiro de 2026
As despesas do governo federal com a Previdência Social ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de R$ 1 trilhão ao ano. Em 2025, o gasto com benefícios previdenciários alcançou R$ 1,026 trilhão, enquanto a receita líquida ficou em R$ 709,7 bilhões, resultando em um déficit de R$ 317,1 bilhões. O resultado aprofunda o desequilíbrio estrutural do regime de aposentadorias dos trabalhadores do setor privado.
Os números constam no relatório das contas do governo central — que reúne dados da Previdência Social, do Tesouro Nacional e do Banco Central — e serão divulgados oficialmente nesta quinta-feira pelo Ministério da Fazenda.
Na comparação com 2024, a despesa previdenciária aumentou R$ 87 bilhões. No ano passado, o gasto total foi de R$ 939 bilhões. Já a proposta orçamentária enviada ao Congresso projeta uma despesa ainda maior em 2025, de R$ 1,11 trilhão, indicando a continuidade da trajetória de crescimento dos desembolsos.
Especialistas em contas públicas avaliam que os dados consolidados da Previdência em 2025 reforçam a pressão crescente sobre o Orçamento federal e dificultam o cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2026, que prevê um superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O avanço dos gastos previdenciários tende a reduzir o espaço para investimentos e comprometer áreas consideradas prioritárias pelo governo.
Para efeito de comparação, o déficit previdenciário registrado neste ano, de R$ 317,1 bilhões, supera o orçamento previsto para o Ministério da Saúde em 2025, estimado em R$ 271,3 bilhões. A diferença ilustra o peso crescente da Previdência sobre as finanças públicas e o desafio fiscal enfrentado pelo governo.
Apesar da Reforma da Previdência aprovada em 2019, analistas apontam que o desequilíbrio do sistema deve continuar se ampliando nos próximos anos, principalmente em razão do rápido envelhecimento da população brasileira e da desaceleração no crescimento da base de contribuintes.
O relatório divulgado pelo governo central não inclui os resultados dos regimes próprios de previdência dos servidores públicos nem o sistema de aposentadoria dos militares das Forças Armadas, cujos déficits são contabilizados separadamente. Esses regimes, segundo especialistas, também exercem pressão adicional sobre as contas públicas e ampliam o desafio de sustentabilidade do sistema previdenciário no longo prazo.