Domingo, 07 de agosto de 2022

Desvalorização do peso argentino pode ser atrativo para turista brasileiro, mas recentes mudanças no câmbio são motivo de confusão

Algumas das dúvidas mais frequentes entre quem viaja para Buenos Aires giram em torno do dinheiro. Qual a diferença entre levar real, dólar ou peso argentino? Qual é a forma mais segura para trocar as notas? Nos últimos dias, essa equação ganhou mais um ingrediente, com criação de uma taxa de câmbio oficial diferenciada para os turistas. Tudo isso num momento de grande desvalorização do peso, que deixou a Argentina mais barata para os viajantes brasileiros.

Na última semana de julho, o real chegou a ser negociado no mercado paralelo em Buenos Aires a 56 pesos argentinos. Para se ter uma ideia, em 1º de julho esse valor era de 44 pesos, e, em 1º de maio, de 39. Já no mercado oficial, R$ 1 compra, atualmente, 25 pesos argentinos, um valor que não mudou tanto nos últimos meses: no final de junho era R$ 24 e, no começo de maio, R$ 23.

Uma discrepância ainda maior se viu entre as cotações do dólar. A moeda americana cotada de acordo com o câmbio oficial, fixado pelo governo argentino, bateu os 131 pesos argentinos, enquanto que o chamado “dólar blue”, cotado no mercado paralelo, chegou aos 332 pesos, uma diferença de mais de 150%. Um mês antes, na última semana de junho, o dólar oficial equivalia a 123 pesos argentinos, enquanto um “dólar blue” comprava 223 pesos, numa diferença de 80%.

Na prática, o valor de compra de quem trocou reais por pesos argentinos no mercado paralelo praticamente dobrou em relação ao câmbio oficial, e quase triplicou para quem fez a operação com dólares. Uma valorização que supera até mesmo a inflação galopante que tem aumentado o custo de vida como um todo no país.

Dólar blue

O que qualquer pessoa que pretende viajar para a Argentina precisa saber é que o país vizinho tem mais de um tipo de câmbio. Há a taxa do dólar oficial, fixada pelo governo, e o chamado “dólar blue”, amplamente comercializado no mercado paralelo, que normalmente tem taxa de conversão bem maior que o oficial. Na última semana, para se ter uma ideia, a diferença de um para outro foi mais que o dobro.

Por conta dessa discrepância de valores, há quem busque a troca de dólares (e outras moedas) por pesos argentinos em casas de câmbio ilegais, que operam foram do sistema oficial e costumam se encontrar em escritórios escondidos (as “cuevas”) nas regiões centrais das cidades. No caso de Buenos Aires, esses pontos estão espalhados pelo Centro, mas se concentram na região da Calle Florida, a mais famosa rua de pedestres da capital, onde habitam os “arbolitos”, as pessoas que ficam na calçada oferecendo câmbio aos pedestres.

Já a troca de moedas oficial acontece em bancos e casas de câmbio legalizadas, seguindo a taxa fixada pelo governo, geralmente menos favorável. A grande diferença entre os dois serviços, além do valor recebido pelo cliente, é a segurança. Não são poucos os casos de pessoas que receberam notas falsas nas “cuevas” ou da mão dos “arbolitos”.

Outras cotações

Existem ainda outras cotações oficiais do dólar, reguladas pelo governo, que são usadas para transações em bolsas de valores, em pagamentos de dívidas no exterior, para aquisição de divisas para poupanças e até para comercialização da soja. Uma dessas categorias, a MEP (Mercado Eletrônico de Pagamentos), será a base para a tal “taxa oficial para turistas”. Essa taxa, na semana passada, variou em torno dos 300 pesos argentinos, um valor próximo, mas um pouco menor, que o “dólar blue”.

Dólar turista

Para reter uma quantidade maior da moeda no âmbito legal, o Ministério da Economia autorizou, em 21 de julho, uma nova categoria de câmbio, já batizada de “dólar turista”.

De acordo com a nova medida, o turista estrangeiro não residente na Argentina poderá trocar até US$ 5 mil (ou o equivalente em outras moedas, como o real) por mês em instituições financeiras oficiais, como bancos e casas de câmbio legais. Nessa transação, a referência será o dólar MEP.

O lado positivo da novidade é garantir, com uma cotação bem melhor que a do câmbio oficial, uma maior segurança ao turista, que (presumivelmente) não correrá o risco de receber notas falsas ou cair em outros golpes.

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