Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de janeiro de 2026
Mais uma vida interrompida pela violência doméstica no Rio Grande do Sul. Paula Gomes Gonhi, 44 anos, foi brutalmente assassinada a facadas em Santa Cruz do Sul, tornando-se a décima vítima de feminicídio no estado em apenas 27 dias de 2026.
Os números são alarmantes: uma mulher assassinada a cada 2,6 dias no Estado, superando todo o mês de janeiro de 2025, que registrou 9 casos. No cenário nacional, 2025 bateu recorde com quatro mulheres assassinadas diariamente.
Esses números não são apenas estatísticas, são mães, filhas, irmãs e trabalhadoras que tiveram suas vidas ceifadas pela violência. Cada caso representa uma falha coletiva em proteger as mulheres do nosso Estado e de todo o Brasil.
O feminicídio não acontece do nada. É o último e mais trágico ato de um ciclo de violência que geralmente começa com agressões verbais, psicológicas, patrimoniais e físicas. Paula foi morta dentro de sua própria casa, aquele que deveria ser seu refúgio. Foi seu filho quem acionou a polícia, provavelmente após presenciar horrores que nenhuma criança deveria testemunhar. Quantos sinais foram ignorados? Quantas oportunidades de intervenção foram perdidas?
A Lei Maria da Penha existe há quase 20 anos e as medidas protetivas são instrumentos legais importantes, mas a realidade mostra que precisamos ir além. De que adianta uma medida protetiva se não há fiscalização efetiva? De que serve o boletim de ocorrência se a vítima não recebe acompanhamento adequado e o agressor continua solto, muitas vezes com acesso facilitado à vítima?
A segurança das mulheres exige ação coordenada em todas as esferas. Precisamos de delegacias especializadas equipadas e com efetivo suficiente para atendimento 24 horas. É fundamental investir em tecnologia, como botões de pânico e tornozeleiras eletrônicas para agressores, com monitoramento rigoroso. As polícias civil e militar precisam de capacitação contínua para identificar sinais de risco e agir preventivamente.
Mas segurança pública não se faz apenas com polícia. Precisamos de uma rede integrada. Casas de acolhimento para mulheres em situação de risco, programas de autonomia econômica para que possam deixar relacionamentos abusivos, e campanhas educativas permanentes são essenciais.
O caso de Paula nos lembra que a violência doméstica acontece atrás de portas fechadas, mas deixa rastros. Vizinhos, familiares, colegas de trabalho, todos precisam estar atentos e dispostos a denunciar.
Os números recordes de 2025 e o início catastrófico de 2026 no Rio Grande do Sul são um chamado à ação. Não podemos normalizar essa barbárie. Cada feminicídio é evitável se houver vontade política, investimento adequado e comprometimento social.
* Vereador Coronel Ustra (PL)