Sábado, 31 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de janeiro de 2026
A nova edição da pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde nessa semana, mostra que 12,9% dos adultos brasileiros têm um diagnóstico de diabetes. O número, referente a 2024, revela um aumento de 134,5% em relação à primeira edição do levantamento, feita quase 20 anos antes, em 2006. Na época, a prevalência da doença era de 5,5%.
A hipertensão arterial seguiu tendência semelhante no intervalo e cresceu 31%, subindo de 22,6% para 29,7%. A prevalência de obesidade (IMC igual ou superior a 30) e excesso de peso (IMC 25) também alcançou taxas significativas em 18 anos: de 11,8% para 25,7% e de 42,6% para 62,6%, respectivamente. No período, a primeira condição aumentou 118% e o excesso de peso, 47%. O IMC (índice de massa corpórea) é o peso do paciente dividido pela sua altura elevada ao quadrado.
O diabetes é uma condição crônica em que o indivíduo não produz ou não absorve adequadamente o hormônio insulina, responsável por retirar a glicose do sangue.
Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde ( OMS), a doença afeta 14% da população adulta global, cerca de 828 milhões de pessoas. No Brasil, o percentual de 12,9% equivale a cerca de 19,9 milhões de indivíduos, com base nos números do Censo Demográfico de 2022, do IBGE.
Os tipos mais comuns de diabetes são o 1 e o 2. No primeiro, o indivíduo tem uma doença autoimune que leva o próprio corpo a atacar as células beta do pâncreas, que produzem a insulina.
Por isso, o paciente fica dependente de aplicações do hormônio. Já o tipo 2, que responde por cerca de 90% dos casos, é causado por hábitos de vida. Nesse caso, fatores como excesso de peso e má alimentação sobrecarregam as células produtoras de insulina, o que afeta a produção ou absorção do hormônio.
Perfil
Ao longo dos 18 anos, o crescimento dos casos de diabetes no Brasil foi maior entre os homens (143,5%) do que nas mulheres (127%). Entre as faixas etárias, o maior aumento foi nos brasileiros de 25 a 34 anos (236,4%), seguido dos de 35 a 44 anos (113,8%); de 45 a 54 anos (108,5%); de 18 a 24 anos (88,9%) e de 65 anos ou mais (66,1%). A faixa de 55 a 64 anos foi a que teve a menor alta, de 29,3%.
A Vigitel também mostra que os casos subiram de forma mais acentuada entre aqueles de ensino médio completo e superior incompleto (268%), seguidos pelos de fundamental completo e médio incompleto (210%); superior completo (181,3%) e os brasileiros sem escolaridade formal e fundamental incompleto (152,6%).
Entre 2006 e 2024, o ritmo geral de aumento dos casos de diabetes no país foi de 0,35% ao ano. Mas, nos últimos cinco anos do monitoramento, o crescimento subiu para mais que o dobro: 0,90% a cada 12 meses.
Tendência mundial
O cenário do Brasil acompanha uma tendência mundial. Em 2024, uma pesquisa apoiada pela OMS, publicada na revista científica The Lancet, mostrou que o número de adultos que vivem com diabetes subiu quatro vezes no planeta entre 1990 e 2022. Os estudos mostram que o diabetes tipo 2, ligado aos hábitos de vida, é o principal responsável pelo aumento.
“Temos visto um aumento alarmante do diabetes nas últimas três décadas, o que reflete o aumento da obesidade, agravado pelos impactos do marketing de alimentos não saudáveis, falta de atividade física e dificuldades econômicas. Para controlar a epidemia global de diabetes, os países devem agir urgentemente. Isso começa com a promulgação de políticas que apoiem dietas saudáveis e atividade física e, mais importante, sistemas de saúde que ofereçam prevenção, detecção precoce e tratamento”, alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na ocasião. (As informações são da Folha de S. Paulo e Folha de Pernambuco)