Segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Diálogos foram recuperados pela Polícia Federal em celulares de Vorcaro apreendidos; banqueiro conversava com Moraes por meio de mensagens de visualização única

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, vestígios digitais que permitiram identificar o envio de mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O iPhone 17 Pro de Vorcaro foi apreendido pela PF em novembro do ano passado, quando ele foi preso pela primeira vez.

O conteúdo da análise pericial do aparelho foi tornado público no dia 1º deste mês pelo também ministro do STF André Mendonça. Segundo os peritos, Vorcaro adotava uma espécie de dupla blindagem para dificultar a recuperação das conversas.

Ele escrevia os textos no aplicativo “Notas”, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp com a função de visualização única. Além disso, o contato usado para a comunicação estava configurado para apagar automaticamente as mensagens após 24 horas. A estratégia, contudo, deixou rastros no próprio iPhone.

Os peritos utilizaram o software israelense Cellebrite Reader para acessar o aparelho e identificaram que o sistema iOS gera automaticamente um arquivo em PDF quando o usuário faz uma captura de tela de um texto no aplicativo “Notas”. O documento reproduz o conteúdo exibido na tela e recebe um carimbo de data e hora correspondente ao momento da captura.

Mesmo que a nota original seja apagada e a imagem enviada pelo WhatsApp seja configurada para visualização única, o PDF pode permanecer armazenado temporariamente na memória física do aparelho como vestígio da operação.

A PF organizou os arquivos extraídos com o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED), software forense criado pela própria corporação. Foi dessa forma que os agentes recuperaram a íntegra dos textos redigidos por Vorcaro.

A existência dos textos, porém, não seria suficiente para provar que eles haviam sido enviados a Moraes. Para estabelecer essa ligação, a PF cruzou os arquivos recuperados com registros de atividade do próprio aparelho.

Os peritos analisaram os “Logs” do sistema, que registram eventos do sistema operacional, incluindo o momento em que uma mensagem é enviada pelo WhatsApp, e o banco de dados de “Uso de Aplicativos”, que registra os períodos de abertura e fechamento dos aplicativos e as capturas de tela realizadas.

A análise revelou uma sequência temporal que se repetia nas comunicações e ocorria em poucos segundos: Vorcaro abria o aplicativo “Notas”, editava o texto, fazia uma captura de tela, gerava o PDF automaticamente e, logo depois, fechava o aplicativo e abria o WhatsApp.

Na sequência, os registros apontavam a transmissão de um pacote de dados para o terminal associado ao número que estava salvo no aparelho de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Depois do envio, o WhatsApp era fechado.

Segundo a perícia, o intervalo entre a redação do texto e o envio da mensagem variava, em média, de 11 a 35 segundos. Ao todo, a Polícia Federal identificou 52 notas que seguiram esse mesmo padrão técnico.

“Essa sequência ininterrupta de ações estabelece correlação entre a geração da imagem e o seu posterior envio a interlocutor específico”, afirmou a PF no relatório. (Com informações da Gazeta do Povo)

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