Segunda-feira, 20 de maio de 2024

“Dias difíceis virão”, disse Bolsonaro antes de operação da Polícia Federal

O ex-presidente Jair Bolsonaro teria acessado detalhes da operação da Polícia Federal (PF) antes de sua deflagração. No dia 21 de janeiro, quatro dias antes da Operação Vigilância Aproximada, Bolsonaro teria enviado, em um grupo de apoiadores no Telegram, mensagens avisando que “as próximas semanas” seriam “decisivas”.

Três dias depois, em 24 de janeiro, o ex-Chefe do Executivo levou suas preocupações para o X, antigo Twitter, expressando suas “dores e incertezas”.

Operação Vigilância Aproximada
Em 25 de janeiro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra agentes envolvidos em investigações de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Um dos alvos foi Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral do órgão durante o governo Bolsonaro.

Segundo o inquérito, instaurou-se uma cúpula paralela para investigar autoridades que representavam alguma ameaça à família de Bolsonaro.

Quatro dias depois, o gabinete e a casa do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro foram alvos de busca da PF. Assim como a casa da família Bolsonaro, em Angra dos Reis (RJ). Quando os policiais chegaram na residência, ninguém estava em casa. Jair e os filhos tinham, supostamente, saído para pescar.

Nos documentos apreendidos, concluiu-se que Carlos era um dos receptores dos relatórios ilegais da agência.

Operação Tempus Veritatis
Na quinta (8), agentes da PF foram novamente à casa em Angra dos Reis, desta vez, para apreender o passaporte de Bolsonaro. Entretanto, o documento estava na sede do PL, em Brasília.

As investigações buscam apurar o envolvimento do ex-presidente nos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023. Na sala de Bolsonaro, na mesma sede, encontraram um documento apócrifo, ou seja, sem assinatura, justificando a declaração de um Estado de Sítio.

Defesa de Bolsonaro
Os advogados de Jair Bolsonaro afirmaram, em solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente imprimiu a “minuta do golpe” por ter problemas de visão.

O documento, que foi encontrado pela PF na sala de Bolsonaro na sede do Partido Liberal (PL), conforme os advogados do ex-presidente, é o mesmo encontrado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, e que já consta nos autos do processo.

De acordo com a versão apresentada, com o desconhecimento de Bolsonaro e seu descontentamento com o caso, ele solicitou ao advogado Paulo Amador da Cunha Bueno que lhe informasse sobre as versões das minutas. Apenas uma foi apreendida pela PF.

Assim, Bueno lhe encaminhou, em 18 de outubro de 2023, por um aplicativo de mensagens, os dois textos que estavam com Cid, formatados em documentos individuais.

Posteriormente, os documentos foram impressos por Bolsonaro, que não tem “o costume de fazer a leitura de textos no próprio telefone celular” e faz o uso de óculos. É argumentado pela defesa que os arquivos “provavelmente” ficaram no escritório e que jamais se pensou na hipótese de serem apreendidos e colocados como elementos de investigação contra o ex-chefe do Executivo. Por isso, Bolsonaro não os jogou fora após a leitura.

 

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