Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de agosto de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, se reúne na tarde desta segunda-feira (31) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O encontro terá como pauta a segurança das informações no sistema de Justiça.
A reunião ocorre em meio a um impasse entre o ministro do STF André Mendonça e o diretor-geral da PF. A relação entre os dois se deteriorou nos últimos meses após o vazamento de informações relacionadas a inquéritos sob relatoria de Mendonça. A segurança e o fluxo desses dados devem estar entre os principais assuntos discutidos por Andrei e Fachin.
Mendonça é relator, no STF, dos inquéritos que investigam fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os casos está a investigação que apura uma suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação busca esclarecer se Lulinha teria favorecido a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para facilitar contratos relacionados a produtos medicinais à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde. Mendonça também é responsável pelo caso “Dark Horse” e pela investigação envolvendo as suspeitas de fraude financeira relacionadas ao Banco Master.
Na última semana, Fachin se reuniu com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O encontro ocorreu enquanto a cúpula da PF pressionava a Advocacia-Geral da União (AGU) a questionar judicialmente decisões tomadas por Mendonça. Messias, porém, tem defendido que a divergência seja solucionada por meio do diálogo, sem o ajuizamento de uma ação contra o ministro.
O atrito aumentou depois que Mendonça determinou que a PF anexasse ao processo sobre as fraudes no INSS os dados brutos obtidos durante a investigação. A medida inclui informações decorrentes de quebras de sigilos fiscal, bancário e telemático.
Entre os alvos dessas medidas estão Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. As quebras de sigilo haviam sido autorizadas pelo próprio Mendonça, a pedido da Polícia Federal. O ministro também determinou que eventuais alterações na equipe responsável pelas investigações fossem comunicadas previamente ao seu gabinete.
A PF avalia que essas determinações podem interferir na autonomia investigativa da corporação e procurou a AGU para analisar uma possível reação judicial. Messias, no entanto, tem resistido à iniciativa e busca uma solução negociada para o impasse.
Além do advogado-geral da União, o ministro da Justiça, Wellington César, também tem atuado como interlocutor na tentativa de reduzir a tensão entre o STF e a Polícia Federal.
Em discurso na última sexta-feira (28), Andrei Rodrigues afirmou que a PF atua de maneira autônoma, técnica e sem “viés político”. A declaração ocorreu durante a cerimônia de formatura de novos policiais federais. Na ocasião, o diretor-geral destacou que a corporação trabalha “sem proteger ou perseguir” e com transparência.
“Nunca se esqueçam: a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venham”, afirmou Andrei aos formandos.