Sábado, 15 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de agosto de 2026
A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil.
No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos”.
Entre os argumentos apresentados à agência, o Discord alega que a criptografia impediu o bloqueio de conteúdo, e diz que análises técnicas apontam que o “ato final de suicídio não ocorreu na plataforma”, sobre o caso da adolescente de 13 anos.
O Discord é uma plataforma de comunicação amplamente utilizada por jogadores de games online e por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.
Na última quarta-feira (12), a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. Isso não significa a suspensão da plataforma, a decisão atingiu apenas a ferramenta de “lives”.
Argumentos
No documento, os advogados da empresa citaram os seguintes mecanismos de controle:
* Há mecanismos de verificação de idade: a empresa afirma que, quando não há verificação conclusiva da idade, a conta é submetida às “restrições padrão aplicáveis ao público adolescente”.
* Existe uma ferramenta de controle parental: o Discord cita a “Central da Família”, que, segundo a empresa, permite aos responsáveis monitorar servidores integrados, lista de amigos e o tempo de uso dos jovens, além de impor restrições a transações financeiras e interações com desconhecidos.
Sobre problemas apontados pela agência e o caso específico de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida na plataforma, o Discord alegou que as transmissões que motivaram a medida ocorreram em um grupo privado e que agiu rapidamente depois de ser comunicado pela polícia.
Como justificativa para não ter bloqueado as imagens antes, o aplicativo alega que as chamadas de voz e vídeo têm criptografia, o que impede o monitoramento direto do conteúdo ao vivo.
A empresa alega que depende de denúncias de usuários, inteligência artificial e avisos das autoridades e pede que a ANPD trate a situação como um caso isolado, sustentando que adotou todas as medidas de emergência cabíveis.
Caso grave
Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, “imediatamente”, a plataforma Discord.
Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.
A ação motivou uma operação da Polícia Federal, deflagrada em 4 de agosto. Entre os presos na operação estão cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos. O chefe do grupo criminoso é um menino de 14 anos, que foi apreendido no Rio.
O Discord prestou esclarecimentos sobre o caso, e alegou no documento que houve a “remoção integral do canal e a suspensão das contas envolvidas em menos de 25 minutos”.
A empresa afirmou também que avaliações técnicas preliminares indicam que o ato consumado não foi transmitido pela plataforma e que repassou dados e registros aos investigadores. (Com informações do portal de notícias g1)