Segunda-feira, 07 de julho de 2025
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de julho de 2025
Na primeira entrevista após completar o período de quarentena, o ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto afirma que qualquer decisão sobre as contas públicas no país atualmente cai na polarização política entre ricos e pobres.
“Não quero falar de pessoas. Vários empresários falam a mesma coisa, que tem vários estados no Brasil que têm mais gente que ganha Bolsa Família do que trabalhador de carteira assinada. Ninguém está estimulando que não tenha o programa. A grande pergunta [é]: será que o Bolsa Família está gerando informalidade? Existem evidências. O discurso de “nós contra eles” é ruim para todo mundo. Não é o que vai fazer o país crescer de forma estrutural. Precisamos unir todo mundo, o empresário, o empregado, o governo”, disse ao jornal Folha de S.Paulo um dia antes de assumir o cargo de vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank, em 1º de julho.
Campos Neto reagiu a críticas do ministro Fernando Haddad (Fazenda) de que teria deixado uma herança de alta de juros para o sucessor no BC, Gabriel Galípolo. “É triste quando a narrativa é mais importante do que a busca de uma solução estrutural.”
O ex-presidente do BC disse não ter por princípio não “criticar pessoas, apenas ideias”. ” Como já havia um presidente [do Banco Central] participando das decisões, procurei, ao me aproximar da saída, dar mais espaço e peso à participação dele. Ele mesmo veio a público e confirmou isso.“ Ele ainda contou que esteve recentemente com Galípolo na Suíça e que voltaram juntos no mesmo voo.
Ao falar do trabalho de Galípolo como presidente do BC, Campos Neto disse não ter “nenhum reparo a fazer”. “Eles têm atuado de forma técnica, comunicado com transparência. Está fazendo um trabalho irretocável. Só que o problema não está no lado monetário, está no lado fiscal. O BC é um pouco passageiro desse momento fiscal, onde tem uma incerteza, uma guerra de narrativas. Inseriu-se um elemento político dentro do debate fiscal, que eu acho que está muito forte hoje”.
Ele nega que vá contribuir para uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Mesmo fugindo das especulações, Campos Neto diz que enxerga um movimento à direita na América Latina. “As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com a diminuição da pobreza.” Com informações do jornal Folha de S.Paulo.