Quarta-feira, 06 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de maio de 2026
Quase metade dos brasileiros estava endividada em março. Dados divulgados nessa terça-feira (5) pela Serasa Experian mostram que 82,8 milhões de pessoas – o equivalente a 49% da população – tinham dívidas, sendo 47% delas com instituições financeiras, que somam R$ 557,7 bilhões. O cenário reflete um contexto de pressão sobre a renda das famílias e aumento do custo do crédito, fatores que contribuem para a manutenção de níveis elevados de inadimplência no País.
Estas dívidas são o alvo do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal na segunda (4). O programa é voltado para endividados com renda de até cinco salários mínimos por mês, isto é, cerca de R$ 8 mil. Podem participar da renegociação quem tem dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contraídas até 31 de janeiro deste ano e que estejam em atraso de 90 dias a 2 anos. A iniciativa busca ampliar o acesso à renegociação e oferecer condições mais favoráveis para a regularização das pendências financeiras.
Os descontos variam entre 30% e 90%, com taxa de juro de no máximo 1,99% ao mês. O prazo vai até 48 meses e o pagamento pode iniciar em até 35 dias para o pagamento da primeira parcela. Segundo o governo, a expectativa é de que milhões de brasileiros consigam limpar o nome e retomar o acesso ao crédito, o que pode ter impactos indiretos no consumo e na atividade econômica.
De acordo com Aline Maciel, diretora da Serasa, o Desenrola 2.0 será uma ajuda para frear a onda de endividamentos, mas os juros elevados impedem uma mudança maior no cenário.
“O Desenrola 2.0 não fará milagre. O ideal seria um programa que promovesse educação financeira para as classes menos favorecidas da sociedade. Assim, a mudança na inadimplência seria estrutural”, avaliou ela.
O levantamento da Serasa indicou que 21% dos débitos envolvem contas básicas, como contas de água ou luz, e 11,5% dos endividamentos estão centrados no setor de serviços. Esses dados sugerem que parte relevante das dívidas está ligada a despesas essenciais do dia a dia.
A instituição também observou 338,2 milhões de dívidas registradas e o valor médio das dívidas por pessoa é de R$ 6.728,51. Já o valor médio de dívidas individuais é de R$ 1.647,64, o que indica a fragmentação dos débitos entre diferentes credores.
Em abril, a Serasa fez um levantamento junto a 1.904 pessoas de todo o país e apurou que 38% das dívidas junto às instituições financeiras têm relação com desemprego ou perda de renda; 16% envolve gastos emergenciais; 13% se refere à desorganização financeira; 10% apoio a familiares e amigos; e 7% atraso no pagamento. (Com informações do Correio Braziliense)