Sábado, 11 de abril de 2026

Do púlpito à sela, Flávio Bolsonaro tem semana de acenos a convertidos e cortejo a candidatos a vice

Na segunda-feira (6), ele se ajoelhou para receber bênçãos numa igreja da Assembleia de Deus em São Paulo. Na quinta (9), montou um cavalo numa feira agrícola em Campo Grande vestindo uma camisa estampada com a frase “o agro é top!”.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tirou a semana para estreitar os laços com alguns de seus públicos mais fiéis: os evangélicos e os ruralistas. De quebra, cortejou e foi cortejado de olho na vaga para vice na chapa que encabeça.

Flávio começou a semana numa viagem à capital paulista para “pedir orações” ao pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Assembleia de Deus Ministério do Belém. Coordenador de sua pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) o acompanhou na Reunião Estadual de Obreiros da igreja.

“Ó Deus, abençoe este rosto. Tu conhece o seu coração e a sua mente. Tu sabes, ó Deus, o desejo do nosso coração. Que o Senhor o leve para ser o presidente de nossa nação. Que ele (Flávio) tenha graça e iluminação do céu, sabedoria para que possa conduzir este País”, orou o pastor diante de um senador ajoelhado no altar, de cabeça baixa.

Costa é um velho conhecido da família Bolsonaro, e costuma abrir seu templo para os aliados em tempos de eleição. Em outubro de 2022, o pastor pediu voto para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante um culto logo após o primeiro turno da eleição, que seria vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No dia seguinte, Flávio se encontrou com a deputada federal Simone Marquetto, nome defendido pela ala paulista do PP para compor a vice em sua chapa. Ela é recém-saída do MDB.

Ligada ao Frei Gilson e a outras lideranças religiosas, Marquetto se consolidou como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso, como mostrou o Estadão. Aliados de Flávio dizem que o encontro é mais uma iniciativa do PP de São Paulo do que da campanha.

Quarta-feira foi o dia de Flávio aparar arestas de um aliado em rota de colisão com o irmão Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos. O ex-deputado tem se estranhado com Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais por uma suposta falta de lealdade à família.

“Somos o mesmo time, com posições diferentes, mas contra o mesmo inimigo”, afirmou Nikolas, ao lado de Flávio, num evento em Brasília para o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Domingos Sávio (PL) ao Senado por Minas Gerais.

Dias atrás, o presidenciável publicou um vídeo nas redes sociais em que dizia ser “muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um País para resgatar”, numa tentativa de pacificar a relação entre Eduardo e Nikolas.

Na quinta-feira, a convite do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), o senador compareceu à feira agrícola Expogrande, na capital do Estado. Num discurso no palco do evento, prometeu o fim da “insegurança jurídica” para os ruralistas se for eleito presidente em outubro e sugeriu acabar com a demarcação de terras indígenas no Brasil.

“Essa insegurança jurídica (em relação ao agro) vai acabar. Vai acabar na esfera constitucional, legal, seja em respeito ao Marco Temporal das Terras Indígenas. A Constituição deu cinco anos para a demarcação das terras indígenas. De 1993 para cá, (se) demarcou, está demarcado; (se) não demarcou, acabou”, discursou Flávio.

Ele também prometeu “dar autonomia” para os indígenas decidirem o que fazer em suas terras, seja “plantar, botar gado, explorar minérios ou colocar algum empreendimento de turismo”, nas palavras dele.

“Eles (indígenas) vão ganhar royalties e dinheiro para isso, vão prosperar, evoluir, como alguns povos indígenas já estão fazendo. Mas não pode ser mais uma caneta de um juiz para decidir esse futuro”, afirmou.

No mesmo evento, Flávio afirmou que “Tereza é o sonho de consumo de todo mundo” após ser questionado se a senadora Tereza Cristina (PP-MS) era cotada para a vaga de vice.

“Uma das maiores referências no mundo do agro que o Brasil tem. Nós tivemos o privilégio de ter ela como ministra no governo Bolsonaro”, disse ele numa coletiva de imprensa.

A equipe de Flávio trabalha com dois nomes principais para o posto: além de Tereza, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Prós e contras rondam cada um deles, que têm disposições diferentes para a empreitada. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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