Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de fevereiro de 2026
O dólar fechou essa sexta-feira (6) em queda de mais de 1%, cotado a R$ 5,21, o menor valor desde maio de 2024. A desvalorização da moeda americana ocorreu principalmente após a divulgação de dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, o que reforçou a percepção de desaceleração da economia do país.
Além do cenário externo, o real também vem sendo beneficiado pelos juros elevados no Brasil, que seguem atrativos para investidores estrangeiros, mesmo com a expectativa de início dos cortes na taxa básica a partir de março. Esse ambiente tem estimulado a entrada de recursos no País, tanto para a bolsa quanto para os investimentos em renda fixa. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, esse diferencial de juros continua favorecendo a moeda brasileira.
Com esse cenário mais favorável, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia em alta de 0,45%, aos 182,9 mil pontos. Ao longo da semana, o mercado acompanhou de perto a divulgação de resultados das empresas, decisões sobre juros e indicadores econômicos dos Estados Unidos.
No Brasil, a temporada de balanços seguiu no radar dos investidores. O Itaú divulgou resultados que agradaram ao mercado, com melhora no controle da inadimplência e crescimento da concessão de crédito. As ações do banco subiram 2,70% nessa sexta. Já o Bradesco apresentou lucro recorrente de R$ 6,51 bilhões no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado positivo, as projeções do banco para 2026 ficaram abaixo do esperado, o que gerou reação negativa no mercado. Com isso, as ações do Bradesco caíram 2,55% no fechamento do pregão. Entre os outros grandes bancos, o Santander recuou 1,74%, enquanto o Banco do Brasil teve queda de 0,45%.
O dia também foi marcado pela divulgação do Balanço Macrofiscal, que reúne as contas do governo e as projeções para a economia. O Ministério da Fazenda estima que o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de tudo o que o país produz, cresça 2,3% em 2026.
Segundo o relatório, a inflação, medida pelo IPCA, deve desacelerar, passando de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026. Essa queda é explicada, entre outros fatores, pela desvalorização recente do dólar, pela maior oferta de produtos e combustíveis no mercado global e pelos efeitos das medidas adotadas anteriormente para conter a inflação.
A Fazenda também afirma que o ajuste nas contas públicas iniciado em 2024 pode levar o país ao primeiro superávit primário desde 2013, ou seja, quando as receitas do governo superam as despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Para 2026, a meta é de superávit de 0,25% do PIB, o equivalente a R$ 34,5 bilhões. Em 2025, o déficit foi de R$ 13 bilhões, dentro do limite permitido pelo novo arcabouço fiscal.
Por fim, a dívida bruta do governo encerrou 2025 em 78,7% do PIB, influenciada principalmente pelos juros elevados. Ainda assim, o crescimento da economia ajudou a reduzir a pressão sobre o endividamento, um ponto que segue no radar do mercado financeiro. (Com informações do site da revista Veja)