O dólar fechou em queda de 1,02% nesta sexta-feira (10), cotado a R$ 5,0112, aproximando-se da marca de R$ 5 pela primeira vez em dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,12%, aos 197.324 pontos, renovando o recorde histórico.
Na semana, a moeda norte-americana acumulou recuo de 2,87%. No mês, a queda chega a 3,23%, enquanto no ano o dólar já recua 8,70%. Em sentido oposto, o Ibovespa acumula alta de 4,93% na semana, 5,26% no mês e expressivos 22,47% em 2026.
O desempenho dos mercados foi influenciado principalmente pelo cenário internacional, com investidores atentos aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. As tratativas devem começar oficialmente neste sábado (11), após um cessar-fogo anunciado no início da semana, que prevê uma pausa temporária nos ataques.
Apesar da trégua, o acordo ainda apresenta fragilidades, com relatos de violações e a manutenção de um fechamento “de fato” do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Esse cenário tem provocado oscilações nos preços da commodity, aumentando a cautela dos investidores.
No Brasil, o destaque ficou para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador subiu 0,88% em março, acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,7%. Em 12 meses, a inflação acumula avanço de 4,14%, também ligeiramente acima das projeções.
Nos Estados Unidos, dados econômicos reforçaram o monitoramento da inflação. O índice de preços ao consumidor avançou 0,9% em março, após alta de 0,3% no mês anterior, acumulando elevação de 3,3% em 12 meses, em linha com as estimativas.
As negociações entre americanos e iranianos devem ocorrer em Islamabad, no Paquistão, que atua como mediador. O encontro reúne representantes de alto escalão dos dois países e ocorre em meio a um cenário ainda incerto, com divergências sobre o cumprimento do cessar-fogo, considerado etapa inicial para um possível acordo mais amplo.
Analistas avaliam que a combinação entre alívio no cenário externo e fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes tem favorecido a valorização do real e o desempenho da bolsa brasileira. A percepção de risco mais controlado, ainda que temporária, contribui para a entrada de investidores em ativos considerados mais arriscados.
No cenário doméstico, além da inflação, o mercado segue atento às expectativas para a política monetária e ao comportamento das contas públicas. A leitura de que o Brasil pode manter um ambiente de juros elevados por mais tempo continua sendo um dos fatores que sustentam o interesse de investidores estrangeiros no país.