Terça-feira, 03 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de março de 2026
O dólar registrou forte alta nesta terça-feira (3) e encerrou o dia cotado a R$ 5,2645, avanço de 1,91%, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Durante o pregão, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,3428 na máxima do dia, refletindo o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros.
Na semana e no mês, o dólar acumula alta de 0,62%. No ano, porém, ainda apresenta queda de 5,88%.
O cenário de aversão ao risco também pressionou a bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 3,46%, aos 182.763 pontos. No início da tarde, o recuo chegou a quase 5%, acompanhando o tombo generalizado dos mercados internacionais. Apesar da forte baixa no dia, o índice acumula alta de 0,28% na semana e no mês, e avanço de 17,49% no ano.
A instabilidade foi provocada por novos desdobramentos do conflito entre Israel e Irã. Pela manhã, os dois países trocaram bombardeios, com explosões registradas em diferentes pontos da região. O número de mortos no Irã subiu para 787, segundo autoridades locais. À tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “praticamente tudo” foi destruído no Irã e declarou que uma nova onda de ataques deve ocorrer em breve.
A tensão aumentou ainda mais após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçar atacar embarcações que tentem cruzar a rota. A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Com isso, os preços do petróleo dispararam. O barril do tipo Brent avançava mais de 5% no meio da tarde, sendo negociado acima de US$ 82. A alta reflete o temor de interrupções no fornecimento global, agravado pela suspensão preventiva da produção em países como Catar, Arábia Saudita e Israel.
O aumento das cotações da commodity reforçou preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo. Investidores passaram a reduzir exposição a ativos de risco, como ações, e a buscar proteção no dólar.
Além do cenário externo, o mercado também acompanhou declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, em busca de sinalizações sobre os próximos passos da política monetária diante dos possíveis impactos da alta do petróleo sobre os preços.
No Brasil, os investidores reagiram ainda à divulgação do PIB de 2025, informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, desacelerando em relação à expansão de 3,4% registrada em 2024. Também foram divulgados os dados do Novo Caged, que apontaram a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro.
O conjunto de fatores — conflito geopolítico, alta do petróleo e incertezas sobre juros — elevou a volatilidade nos mercados e reforçou a postura cautelosa dos investidores.