Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de fevereiro de 2026
O dólar reverteu os ganhos e fechou em estabilidade, com variação negativa de 0,1% e cotado a R$ 5,133. No mês, o dólar acumulou queda de 2%; no ano, de 6%. Já a Bolsa subiu 4% em fevereiro e 17% desde que 2025 começou.
Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a taxa serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
O noticiário envolvendo dados de inflação do Brasil acima do esperado também afetou as negociações, com a Bolsa firmando queda já nos primeiros minutos de pregão. Fechou com perdas de 1,18%, a 188.835 pontos, segundo dados preliminares.
Pressionada por mensalidades escolares e passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) subiu 0,84% em fevereiro, segundo divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. A expectativa era de alta de 0,57%.
O dado mostrou uma aceleração em relação aos 0,2% registrados em janeiro. No intervalo de previsões, o índice também superou a maior das estimativas, que era de 0,65%, segundo a agência Bloomberg.
No acumulado de 12 meses, o movimento foi diferente. O índice desacelerou a 4,1%, após marcar 4,5% até janeiro. A perda de força no acumulado está associada ao fato de que o IPCA-15 havia subido ainda mais em fevereiro do ano passado (1,23%).
Agora, essa variação mensal deixa o cálculo de 12 meses, sendo substituída por uma menor (0,84%).
O dado foi digerido pelos operadores à luz das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) sobre a taxa Selic, hoje em 15% ao ano. O colegiado baliza o patamar dos juros a partir dos números de inflação e já sinalizou um corte no próximo encontro, em março.
A maioria dos agentes apostava que a redução seria de 0,5 ponto percentual. O IPCA-15, porém, causou impacto no mercado de renda fixa, com as taxas de DI (depósitos interfinanceiros) disparando conforme investidores reduziam apostas de um corte dessa magnitude.
Na análise de André Valério, economista sênior do Inter, a leitura do IPCA-15 é de viés negativo, “quantitativa e qualitativamente”, mas foi bastante influenciada pela sazonalidade.
“De toda forma, o processo de desinflação persiste, com o IPCA-15 de hoje bem abaixo do de fevereiro do ano passado e abaixo da média para um mês de fevereiro, o que sugere a continuidade da desinflação, apesar da volatilidade causada pela sazonalidade”, afirma, acrescentando que não espera que o resultado desta sexta influecie significativamente a decisão do Copom de março.
“Esperamos que o comitê corte a Selic em 0,50 ponto na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso. Por outro lado, a manutenção do real apreciado, na faixa dos R$ 5,15, trará tranquilidade adicional para o comitê iniciar o ciclo de ajustes.”
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos —cuja taxa hoje está na faixa de 3,5% e 3,75%— vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses. Com informações da Folha de São Paulo.