Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de abril de 2026
O dólar fechou em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,992, nesta terça-feira (14), com investidores acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã e mais otimistas de que os países cheguem a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. É o menor valor desde 27 de março de 2024, quando encerrou o dia a R$ 4,980. Na mínima desta terça, a moeda chegou a R$ 4,971. O movimento foi similar ao do exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,25%, aos 98,11 pontos.
A Bolsa brasileira, por outro lado, fechou em nova máxima, de 0,33%, aos 198.657 pontos. Na máxima do pregão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, chegou a 199.354 pontos —novo recorde intradiário.
“O principal fator segue sendo a expectativa sobre a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã. É possível que isso ocorra nos próximos dias, e o fôlego do mercado tem sido renovado, principalmente pela chance de a guerra chegar ao fim”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.
Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma nova rodada de negociações com o Irã pode ocorrer ainda nesta semana. As notícias impulsionaram o otimismo dos investidores que, assim como na véspera, ampliaram a busca global por ativos de risco.
“Esse movimento derruba o preço do petróleo, suaviza as curvas de juros, enfraquece o dólar globalmente e favorece ativos de risco, com destaque para o mercado brasileiro, que tem se beneficiado fortemente do fluxo externo”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
A desvalorização do dólar é resultado de uma convergência de fatores que colocam o mercado brasileiro como um dos mais bem posicionados para enfrentar as turbulências globais causadas pela guerra no Irã. A retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para países emergentes, beneficiando o real, é um deles. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.
Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou: a trégua entre os países, anunciado em 7 de abril, reduziu a aversão ao risco global e reacendeu o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.
A isso se somam o diferencial de juros com os EUA e a distância do Brasil em relação ao conflito, considerados pontos a favor. O movimento se intensificou a partir da última semana. Na sexta (10), a moeda encostou no patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, pegando carona no otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e no custo-oportunidade de investir no Brasil.
O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana chegou a impor cautela nos mercados, com a moeda atingindo a máxima de R$ 5,039 e a Bolsa, a mínima de 196.222 pontos, na última segunda.
A tendência, contudo, foi revertida, quando Trump afirmou a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou pelo governo republicano visando o cessar-fogo na segunda-feira. Na segunda-feira (13), a moeda encerrou com uma baixa de 0,26%, cotada a R$ 4,997. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)