Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de março de 2026
O dólar encerrou em alta nesta terça-feira (24), com avanço de 0,27%, cotado a R$ 5,2544. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,35%, aos 182.561 pontos, em um pregão marcado pela volatilidade no cenário externo.
O petróleo voltou a subir no mercado internacional, em meio às incertezas sobre o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito na região. Após cair 11,12% na véspera, o barril do Brent avançou 4,55%, a US$ 104,49. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 4,79%, para US$ 92,35.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria disposto a negociar e mencionou a possibilidade de conversas por telefone. Parte da imprensa internacional citou articulações envolvendo Steve Witkoff, Jared Kushner e Mohammad-Bagher Ghalibaf. Ghalibaf, no entanto, negou as tratativas e classificou as informações como “fake news”, com o objetivo de influenciar os preços do petróleo.
Apesar das sinalizações diplomáticas, Israel e Irã voltaram a trocar ataques nesta terça-feira. Um bombardeio iraniano deixou feridos em Tel Aviv, enquanto o governo israelense indicou a possibilidade de criação de uma “zona de segurança” no sul do Líbano.
No Brasil, o Banco Central do Brasil divulgou a ata do Comitê de Política Monetária, referente à reunião que reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% — o primeiro corte em quase dois anos.
No documento, a autoridade monetária avaliou que o conflito no Oriente Médio piorou o cenário inflacionário, principalmente por meio da alta do petróleo e do possível repasse aos combustíveis. Segundo o BC, esse ambiente exige a manutenção de uma política monetária em nível restritivo por mais tempo.
Apesar do corte recente, o Copom evitou sinalizar claramente os próximos passos e indicou que o ritmo de redução dos juros pode ser mais lento diante do aumento das incertezas. As expectativas de inflação, segundo o Banco Central, voltaram a subir e seguem acima da meta, o que reforça a necessidade de cautela.
A autoridade monetária também destacou que o cenário externo se tornou mais volátil, exigindo prudência de países emergentes como o Brasil. Internamente, a economia apresenta sinais de desaceleração, embora o mercado de trabalho ainda mostre resiliência. O BC reiterou que seguirá dependente de novos dados para definir os próximos movimentos da política monetária.