Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Dólar fecha em queda no primeiro pregão após vitória de Lula

O dólar fechou em forte queda nesta segunda-feira (31), após abrir a R$ 5,40 em reação inicial dos mercados à vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dissipou ao longo do dia. Houve ainda a formação da Ptax de fim de mês — taxa de câmbio calculada pelo Banco Central usada como referência para operações financeiras —, o que torna o pregão volátil.

Na sexta-feira (28), a moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,15%, vendida a R$ 5,3005. Com o resultado de hoje, a moeda acumulou queda de 4,24% no mês. No ano, o recuo é de 7,34% frente ao real.

O que está mexendo com os mercados?

“O mercado já vinha precificando a vitória do Lula desde antes do primeiro turno”, avaliou à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital. Embora tenha notado certa apreensão do mercado com a vitória do petista, ele disse que “a definição clara de uma equipe econômica ortodoxa pode até virar os mercados nessa reação inicial”.

O foco agora se volta às sinalizações sobre a futura condução da política econômica e os arranjos políticos.

“A eleição apertada exige que o presidente eleito faça composição com o centro”, disse à Reuters Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra, que viu como “muito positivo” a referência à união nacional feita por Lula em discurso logo após sua eleição, com agradecimentos a apoiadores de fora do seu partido.

Ministro da Economia

José Alberto Baltieri, gestor da ASA Investments, disse que a maior expectativa é em relação ao nome do próximo ministro da Economia. “É aí que o Lula consegue se diferenciar e ganhar o voto de confiança do mercado”, afirmou, destacando que haveria uma reação negativa à indicação de um político.

“Os grandes impactos no mercado virão após a sinalização do ministro da Economia, que, por consequência, vai pautar o programa econômico de Lula”, reforçou Luciano França, sócio-fundador da Avantgarde Asset Management.

“Teremos cenas dos próximos capítulos. O que é esperado é um resultado ruim para os ativos públicos, dado o histórico de gestões anteriores do Partido dos Trabalhadores, principalmente durante o governo Dilma.” Além disso, a permanência de incertezas sobre a agenda econômica e fiscal do presidente eleito segue sendo motivo de preocupação.

“Pelo prisma econômico, o lado fiscal é a grande preocupação, principalmente no tocante ao teto de gastos”, disse à Reuters Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos. “Um novo modelo de ancoragem fiscal deve ser estudado pelo novo governo, e o fato é que aumentar os gastos de forma demasiada ameaça a sustentabilidade da dívida, joga pressão sobre as taxas de juros longas e pode levar a saídas de dólares do Brasil.”

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