Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de janeiro de 2026
O dólar encerrou a quarta-feira (14) em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,40. O resultado foi na contramão do recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão marcada pela suspensão do processamento dos vistos de brasileiros pelos Estados Unidos e de nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral.
O levantamento trouxe pouca volatilidade para o dólar, que seguiu próximo da estabilidade até que a Fox News informou, no fim da manhã, que os Estados Unidos vão suspender o processamento de vistos para brasileiros, dentro de uma medida mais ampla que atinge ao todo 75 países. A notícia foi mal-recebida.
Após marcar a cotação mínima de R$5,3594 (-0,31%) às 10h45 – já após a pesquisa Genial/Quaest –, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,4239 (+0,89%) às 11h10, em uma reação imediata à notícia sobre os vistos. Perto deste horário, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de alguns prazos também marcaram picos.
“Mesmo que não afete o fluxo (de dólares para o Brasil), a história dos vistos pegou no câmbio”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Ibovespa
O principal índice da Bolsa brasileira renovou a máxima histórica nessa quarta, avançando 1,96%, aos 165.146 pontos. Para analistas, a pesquisa eleitoral mostrando a diminuição de intenções de voto entre Lula e candidatos de direita num eventual segundo turno contribuiu com a alta do Ibovespa.
Para Fernando Siqueira, chefe da pesquisa da Eleven Financial, a nova rodada de pesquisas mostrou que há maiores chances de alternância de poder. “O mercado viu com bons olhos a possibilidade de transição nas eleições. Está claro que será uma eleição disputada, dividida, mas tem chance de candidato de direita vencer”, analisa.
Para o mercado financeiro, afirma Siqueira, um candidato da oposição é visto com bons olhos para domar a condução dos gastos públicos e reverter a crescente trajetória da dívida pública.
Documentos do Tesouro Nacional divulgados na segunda-feira (12) mostram que a relação entre tudo que o país deve pode alcançar 79,3% do PIB, tudo o que a economia brasileira produziu, no ano passado. Esta relação pode aumentar para 83,6% em 2026.
“O último mandato do Lula não está sendo positivo do lado fiscal. Quando há chances de alternância, os investidores tendem a receber positivamente”, avalia Siqueira.
Com um aumento da dívida pública, há um aumento na desconfiança de que o país irá honrá-la. Como consequência, há fuga de dólares, aumento no valor do câmbio e impacto na inflação, que é “remediada” com a necessidade de juros mais altos. Isso dificulta a obtenção de crédito pela indústria e pela população para consumir, o que impacta diretamente no crescimento do país e nos resultados das empresas.
Tensão geopolítica
A possibilidade de intervenção americana no Irã, diante das manifestações com o regime do Oriente Médio, também promoveram uma valorização de commodities no mercado internacional, avalia Siqueira. O movimento contribuiu com a alta das empresas correlatas na Bolsa brasileira.
“Commodities sempre oscilam muito, mas, vendo o preço delas melhorando, os lucros das empresas se tornam maiores do que no ano passado”, analisa.
O barril do tipo Brent subiu 1,6% em Nova York, aos US$ 66,52, enquanto o WTI, outra referência, avançou 1,42%,aos US$ 62,02. Metais como o cobre também subiram, alcançando hoje os US$ 13.164 por tonelada métrica na Bolsa de Metais de Londres. Com informações do InfoMoney e O Globo.