Quarta-feira, 17 de junho de 2026

Dólar sobe e Bolsa recua em dia de decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (17) em alta diante do real, enquanto a Bolsa brasileira fechou em queda, em um dia marcado pela expectativa dos investidores em torno das decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana avançou 0,42% e terminou o dia cotada a R$ 5,1076. Com o resultado, acumula alta de 0,90% na semana e de 1,29% no mês. No ano, porém, o dólar ainda registra queda de 6,94%.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuou 0,70%, encerrando o pregão aos 168.454 pontos. O índice acumula perdas de 1,73% na semana e de 3,23% em junho, embora ainda mantenha valorização de 4,38% em 2026.

Os mercados acompanharam de perto a chamada “Superquarta”, quando coincidem as reuniões de política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

Nos Estados Unidos, o Fed decidiu manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado e ocorreu em meio à preocupação da autoridade monetária com a persistência da inflação na maior economia do mundo. Esta foi a primeira reunião sob a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para comandar a instituição.

A manutenção dos juros em níveis elevados nos Estados Unidos continua influenciando os mercados globais. Com rendimentos mais atrativos nos títulos americanos, investidores tendem a direcionar recursos para ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar e reduzindo o fluxo de capital para economias emergentes, como o Brasil.

Esse movimento costuma pressionar moedas de países em desenvolvimento e impactar negativamente mercados acionários, uma vez que parte dos investidores opta por aplicações com menor risco nos Estados Unidos.

No Brasil, as atenções estavam voltadas para a decisão do Copom. A expectativa predominante entre analistas era de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo os juros básicos para 14,25% ao ano.

Especialistas avaliam que o cenário para a inflação brasileira se tornou mais desafiador nos últimos meses em razão de fatores como choques globais de oferta, atividade econômica aquecida e interrupção do movimento de valorização do real observado anteriormente.

Além das decisões sobre juros, investidores acompanharam os desdobramentos do acordo de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã. O memorando prevê medidas para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de mecanismos para reduzir tensões no Oriente Médio.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o entendimento reforça o compromisso de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, embora tenha destacado que as negociações para um acordo definitivo ainda não foram concluídas.

O cenário internacional segue sendo monitorado pelos agentes financeiros devido aos possíveis impactos sobre os preços da energia e sobre a inflação global. Qualquer alteração significativa nos custos do petróleo pode influenciar as expectativas para a política monetária em diversos países, incluindo o Brasil.

Diante desse ambiente de incertezas, o mercado permanece atento aos próximos sinais dos bancos centrais e à evolução das tensões geopolíticas, fatores que devem continuar influenciando o comportamento do câmbio e dos mercados acionários nas próximas semanas.

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